82. Sou tua obra!


“Não abandones a obra de tuas mãos” (Sl 138,8b)
“...santas aquelas mãos estendidas humildes
em prece, sem pronúncias, porém,
cheias de significado
de uma vida dura,
mas de pura gratidão”
(Warley Tomaz)
Sabemos que o mistério de Deus é inesgotável e oferece, a quem o medita, perspectivas sempre novas para interpretar e viver o amor. Contudo, quando os mestres da espiritualidade se referem aos estados do espírito, coincidem, com mais ou menos palavras, em que é mais difícil permanecer na alegria do que na dor, na tristeza ou no desânimo. Parece que somos mais propensos à súplica, pelo que nos falta, do que a agradecer a Deus, por tantos bens recebidos. E são mesmo muitos! Só que o nosso barro é frágil e, muitas vezes, esquecemos, sobretudo, o dom da vida, da missão e o privilégio de anunciar a misericórdia desse Deus louco de amor por nós.
A alegria, qual a felicidade, é uma palavra manipulada. A cultura do prazer, da satisfação e do hedonismo propõe buscar a alegria e a felicidade como fins. Mas elas são efeitos! A pessoa realizada sente, como efeito de sua realização, alegria e felicidade. Quando alguém encontra uma missão e consegue se desenvolver como ser humano, sente uma força extra, um amor renovado, uma sensibilidade criativa e uma ausência de medo... Isto é alegria! O mesmo acontece ao experimentarmos a presença amorosa de Deus em nossa vida: mesmo no nosso nada, somos amados de um modo especial, único e total por Deus, e isto nos enche o peito de uma alegria que não cabe nas palavras.
Se já encontramos o Deus-amor, para que continuamos buscando a felicidade? O que há, dentro de nós, que nos impulsa a continuarmos achando que precisamos de algo que nos satisfaça? A resposta só pode vir desde dentro de cada um, fruto de um apurado autoconhecimento, carregado de aceitação e aprovação de si. Mas, com certeza, se desejamos satisfação é porque em nós há alguma ferida que dói e clama. Ninguém quer viver com feridas que doem, e é natural que busquemos uma cura para elas. Só que, na maioria das vezes, pensamos que sabemos como curá-las nós mesmos, e erramos, deixando-as pior do que estavam.
Quando somos capazes de confiar as nossas mazelas ao amor suave de Deus, quando percebermos que o nosso ser é abençoado a cada dia pelo Senhor, quando enxergamos as pessoas sem concentrar-nos nas suas feridas como ameaças para nós, começa a surgir em nós uma paz que não cabe no peito e um amor que nos une, com Deus e entre nós. E, então, a nossa súplica começa ter outro tom. A nossa gratidão de viver ressurge, pois sabemos que estamos nas mãos de Deus e confiamos mansamente nele. Então, podemos rezar como o salmista: “Senhor, fizeste maravilhas em mim, e te agradeço porque minha vida está cheia de tuas bênçãos e é plena de sentido; sou tua obra, cuida dela. Quero me confiar sempre mais a ti; não abandones a obra de tuas mãos!”.
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