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49. Alegria no Senhor

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09.10.2015 | 3 minutos de leitura
Leandro Narduzzo
Crônicas
49. Alegria no Senhor

“A minha alma engrandece o Senhor,

e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc 1, 47)



“O que está consolado
procure humilhar-se

e
abater-se quanto puder,

pensando para quão pouco é,

no tempo da desolação,

sem essa graça ou consolação”

(S. Inácio de Loyola EE 324)



Quem já se adentrou no caminho do discipulado terá experimentado a luta, a dor e, muitas vezes, a solidão e amargura, próprias dos tempos de aridez. O nosso espírito parece não ter descanso: queremos ver, mas não vemos; queremos falar, anunciar, mas não achamos as palavras; queremos trabalhar, mas não achamos a força nem o porquê. E toda a nossa comunicação com o Senhor parece reduzir-se a uma única oração: “Dá-me um descanso, Senhor!”. É curioso como, nesses tempos áridos, não sentimos a capacidade de fazer muita coisa, mas temos a vontade de achar repouso, como se tivéssemos trabalhado demais. Porém, tendo feita a experiência do amor e da ternura de Deus, que, de momento, não podemos sentir e parece até esquecida, continuamos a nossa caminhada com a certeza da promessa, com a força da convicção: “espera em Deus, ainda poderei louvá-lo, a ele, que é a salvação do meu rosto e meu Deus” (Sl 42, 12b).


Mas um dia, de repente ou depois longa busca e de oração intensa –e falamos de tempos às vezes muito demorados –, esse descanso do espírito chega, e aquele problema, aquela angústia, aquela tristeza, aquela pedra enorme que pesava sobre nossas costas se torna uma pedrinha que apenas cabe no bolso (será bom esclarecer que a “pedra” não desaparece magicamente, mas dá para carregá-la). Começamos enxergar a vida, as coisas, os problemas de outro modo; temos nova perspectiva, sabemos nomear as coisas e pô-las em seu lugar e, sobretudo, voltamos a ser anunciadores convictos, e o nosso anúncio se torna fonte e motivo de alegria, para nós e para os demais, outra vez.


É tempo de louvar e dar graças a Deus sem obstáculos, mas não sem tentações. E é bom tê-lo claro, porque o consolo é de Deus, não é obra nossa. A alegria na presença do Deus da consolação é um presente que ele nos dá, por pura misericórdia, por pura graça, e é muito proveitoso sermos conscientes disso, para não cair na tentação da autossuficiência. Quem está alegre, contente, inspirado, poderia ser tentado a acreditar que não precisa de nada, e um extremo disso seria acreditar que não precisamos de Deus, que é, justamente, quem trabalhou sem descanso, cuidando-nos, assistindo-nos, acompanhando-nos mais intensamente nos momentos de escuridão e tristeza.


Tendo por modelo Maria, a discípula perfeita que escutou a Palavra do Senhor e a cumpriu, apreenderemos o verdadeiro louvor. Maria exulta no Senhor, agradece a Deus, alegra-se nele, jamais se esquece da misericórdia recebida, ainda nos tempos da dor e do interminável sofrimento. Ela medita a palavra do Senhor e a faz dar frutos. Está ciente do lugar que ocupa: é apenas serva. Por isso, por saber-se serva, foi capaz de acolher a salvação, o Salvador e a sua missão. Tornou-se, por isso, causa de alegria e motivo de esperança para toda a humanidade.


Terá Deus um projeto tão feliz para cada um de nós?


Podemos ter certeza disso!

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