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50. Até quando?

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13.10.2015 | 3 minutos de leitura
Jorge Luiz Silva
Crônicas
50. Até quando?

“Até quando o tempo das coisas inauditas”? (Dn 12,6b)


 

“Tu me tocaste,

e agora estou ardendo

no desejo de tua paz”. 

(Agostinho de Hipona, Confissões)



Não há um dia em que, lendo os jornais ou assistindo aos noticiários no rádio e televisão, não somos surpreendidos com um acontecimento violento, sangrento, mortal. Fatalistas dizem que o fim está próximo. Não o fim da maldade, da violência, da vilania, mas o fim de toda a criação. O fim do mundo! E não são só os eventos causados por humanos. A natureza parece estar se defendendo das agressões sofridas pelos abusos exploratórios da humanidade. São ciclones, tornados, furacões, tsunamis, tempestades, secas, inversões térmicas notáveis que têm provocado, aqui e ali, alguma reação em prol da mudança comportamental e mitigado a sanha usurária dos que se apropriam das reservas naturais.


Por outro lado, ainda há aqueles que, tendo alcançado o poder e com o desejo de nele se perpetuar, usam do engodo para manipular a maioria empobrecida da população. Como o ricaço da parábola, deixam cair algumas migalhas, míseros tostões, as quais serão usadas por aqueles que as recebem na compra de bens, garantindo o ganho da indústria. Enquanto iludem o pobre, surrupiam o erário e se apropriam de vultosas quantias.


A intolerância religiosa tem marcado estes últimos tempos com as cores da violência em uma perseguição sistemática daqueles que não professam a mesma fé que os perseguidores e nem às suas restrições se submetem. É a evasão e a invasão que acontecem marcadas pelo desespero e pelo instinto de sobrevivência. A marca mais recente dessa barbárie que provoca o exílio e o asilo de milhares de pessoas é a foto de uma criança morta em uma praia. Vítima inocente de uma irracional perseguição em nome de uma fé, de uma religião, de um deus. É estranho que esse fundamentalismo feroz seduza jovens de várias partes do mundo que a ele aderem e se tornam armas nas mãos de dirigentes insanos.


Para muitos, uma respeitável maioria, apocalipse é sinônimo de cataclismos e de fim do mundo, como resultado da vontade de Deus, desencantado com sua criação. Entretanto, não é essa a realidade que se colhe da leitura dos vários textos apocalípticos presentes na Sagrada Escritura. O mal está presente no mundo e se manifesta de forma diversa. Ora é pessoal, ora é social, ora é institucional, ora é natural, porém, em qualquer hipótese não é fruto da vontade divina. Incontestável é o fato de que os quatro Cavaleiros do Apocalipse parecem estar cavalgando pelo mundo e causando os danos que lhes compete. Guerras, doenças, fome e morte fazem parte da cotidianidade de inúmeras pessoas. Mas não são eles enviados de Deus para dizimar a terra, como pensam alguns.


Um velho ditado assevera: “Não há mal que sempre dure, nem felicidade que fique para sempre”. Assim é a peregrinação da humanidade sobre a terra. Caos e cosmos se alternam rumo a um fim onde o Cosmos se manifestará definitivamente. O próprio livro, temido por muitos por se referir a infortúnios, o Apocalipse de João, nos afirma que a felicidade e a paz almejadas serão alcançadas: “Já não haverá noite; ninguém mais precisará da luz da lâmpada, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e eles reinarão pelos séculos dos séculos” (Ap 22,5). Enquanto essa hora não vem, esperamos no Senhor, guardando no coração a pergunta que não quer calar: “Até quando, Senhor?”.





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