23. O que guardamos, o que soltamos...


“Então Iahweh Deus modelou o homem com a argila do solo,
insuflou em suas narinas um hálito de vida
e
o homem se tornou um ser vivente.” (Gn 2,7)
Nesta serra que eu subo,
Com passo firme e medido,
Já deixei no caminho o que não pude carregar,
Trago somente o que serve
Para me manter subindo,
E, desse pouco que eu tenho, ainda muito vou soltar.
(Leandro Narduzo)
Ser capaz de soltar, de não segurar aquilo que nos faz bem, é sempre uma bênção, se entendemos a importância de dar, de oferecer os dons para o bem dos outros. Mas também é uma tarefa difícil e um trabalho que se faz ao longo de toda a vida. Para quase todos nós, muitas vezes, é algo incompreensível, sobretudo porque assumir a própria vida e ser dono dela já é uma tarefa colossal e uma conquista enorme. Pensar no bem do outro, quando apenas mal podemos com nós mesmos, parece ser uma exigência que está fora do nosso alcance. Contudo, o caminho se faz não necessariamente com certezas ou seguranças, mas com fé; isso é o que o Pai nos pede.
No livro do Gênesis, Deus insufla seu hálito de vida nas narinas do ser humano. Logo pensamos na respiração e podemos notar que, como toda atividade vital, respirar implica soltar: soltar o ar. Não é estranho que tudo o que nos mantém com vida deva ser solto, justamente porque a vida é um processo; ao darmos um passo, deixamos o anterior atrás. Tudo o que fica quieto, carece de vida. Ninguém vai ter mais vida se tenta segurar uma inalação; muito pelo contrário, vai ter sérios problemas. Acontece a mesma coisa com o alimento, a água, os remédios no caso de necessidade... Se o corpo não expulsa o excesso, o processo da vida fica estancado. Ao seu modo, o cérebro também se comporta assim; ficar pensando em cada coisa nos deixaria perturbados e sem capacidade de apreender coisas novas: para dar as boas vindas ao novo, temos de abrir mão do velho. Acontecerá o mesmo no âmbito espiritual?...
O Senhor é bênção em nossa vida, para que nós sejamos bênção; é amor, cuidado e ternura, para que nós o sejamos na vida da comunidade! Ele mesmo é a Vida, portanto encontra-se sempre em movimento e nos dá vida na medida da nossa capacidade de receber e de dar. Se ficarmos quietos, estancados no único apelo de receber, receber e receber, então estamos matando a vida e somos artífices da nossa própria morte. Ele, Deus, é o próprio ar que nos mantém vivos e, à medida que somos capazes de não segurá-lo, de não guardá-lo só para nós, somos felizes, somos bênção, somos testemunhas, somos Boa Nova na vida do povo: sejamos, pois, Vida! Bem diz a oração de São Francisco: “É dando que se recebe...”
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