17. Aqui estou, em tuas mãos, Senhor!


(Ao Pe. Gilberto e ao Ir. Jefferson, com minha gratidão)
“E estragou-se o vaso que ele estava fazendo, como acontece à argila na mão do oleiro.
Ele fez novamente um outro vaso, como pareceu bom aos olhos do oleiro” (Jr 18,4)
“Eu quero ser, Jesus amado,
como um vaso nas mãos do oleiro.
Rompe minha vida,
faz-me de novo,
eu quero ser um vaso novo!”
(Canção popular)
Somos barro. Somos limitados, inacabados. Por isso precisamos das mãos do Oleiro, para sustentar a nossa fragilidade e para dar forma às nossas possibilidades. Sabemo-nos em suas mãos que, embora cheias de amor e ternura, às vezes nos apertam e nos esticam à procura de nossa melhor forma. E ele o faz aparentemente sem anunciar seus movimentos. Quer com dor, quer com suavidade, vamos, lenta e gradualmente, adquirindo transformação; é bom caminhar com Deus!
Nesse longo e pausado processo de conversão, não vemos somente a nossa argila, mas notamos também a argila dos demais, sobretudo dos mais próximos. Aquela argila também está na mão do Oleiro e tem seu modo de ser, sua cor e sua composição própria e, para ela, o Artesão tem projetos, um modelo de vaso diferente, único e irrepetível. Um erro muito comum de nossa fragilidade é julgar como menor ou ruim aquilo que é diferente. O caminho dos outros é tão misterioso quanto o nosso e só Deus o conhece plenamente. Avaliar precipitadamente o percurso que cada pessoa faz na sua vida equivale a nos colocarmos no lugar do Oleiro e nos esquecermos de nossa condição de obra e criatura de Deus. Isso faz com que o nosso barro vá secando, vá endurecendo e tirando do Artesão a possibilidade de trabalhar a obra que começou, dando a ela o acabamento necessário. Mas nada de desânimo! O oleiro está aí, segurando o vaso em suas mãos...
“...como acontece à argila na mão do oleiro”. É muito frequente a gente cair, errar, ficar confundido ou se sentir amarrado, ressecado por causa de nossas feridas. Não raro, isso acontece a todos! E a única maneira de manter o barro em condições de ser trabalhado é assumir nossa condição de fragilidade: somos barro, argila. Quando somos capazes de nos colocar diante de Deus, aceitando e assumindo o que somos, Deus faz do barro uma obra-prima. É Deus, e só ele, quem pode fazer da nossa fragilidade, da nossa ferida, um vaso capaz de acolhera água que acalma a sede do necessitado, oferecendo-a como dom. Nossa fragilidade pode ser vaso para semear uma nova flor ou para guardar óleo capaz de ungir e curar muitas feridas... Deus pode aproveitar a nossa dor, a nossa ferida, a nossa indigência e fazer dela um vaso nobre. Não tenhas medo, basta ter fé (Mc 5,36b), disse Jesus. Basta que a gente se deixe modelar pelo Oleiro; basta ficar indefeso diante Dele, do seu amor misericordioso e transformador, acolhendo sua ação. Ao aceitar a fragilidade como condição de possibilidade para a ação de Deus, seremos capazes de ver ao redor de nós um mundo de novos potes, jarras,vasos; únicos, diversos, impensados; alguns prontos, outros em processo; cada qual destinado a um serviços próprio; todos necessários, úteis e, ao seu modo, acolhedores. É só deixar o Oleiro da vida agir!
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