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70. Não há mal que sempre dure!

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09.02.2016 | 3 minutos de leitura
Jorge Luiz Silva
Crônicas
70. Não há mal que sempre dure!

“Apareceu então, outro cavalo, vermelho e,

ao seu montador, foi concedido o poder de tirar a paz da terra,

para que os homens se matassem entre si” (Ap 6,4)


 

“ Não há mal que sempre dure,

Nem bem que nunca se acabe”


(Dito popular)


 

É grande o temor da maioria das pessoas em relação ao livro do Apocalipse, pois o associam às grandes calamidades naturais ou provocadas por homens sedentos de riqueza e poder, ou por lunáticos fundamentalistas religiosos que dizem matar em nome de um deus.


A história, bem como narrativas do Antigo Testamento, confirmam a belicosidade do ser humano. A paz nunca se fez perene e, nestes tempos líquidos, as guerras eclodem em vários locais do planeta causando dor e sofrimento para inúmeras populações.


O poeta baiano em seu poema “Vozes d’África”, antecipou, na voz dos negros escravizados, o clamor de milhares de pessoas que hoje vivem na impossibilidade de ter uma pátria, um lar e uma vida digna. São estrangeiros em sua terra, perseguidos por seus compatriotas, mortos pela sua fé, escravos da maldade e da dor. Como todos os sofredores e perseguidos de todos os tempos, muitos hoje elevam suas vozes e bradam: “Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes? Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes. Embuçado nos céus?”


Com certeza, por uma leitura marcada pelo fundamentalismo, somos colocados diante de uma calamidade. Sociedades se bestializaram e se tornaram perseguidoras e algozes daqueles que não partilham com elas os mesmos princípios religiosos ou políticos. Sobejam, ainda, situações particulares, pessoais, onde impera uma irracional violência – se é que pode haver alguma que seja racional –, alimentada pelo tráfico de drogas.


Rompido o medo, a leitura do livro do Apocalipse deve ser feita integralmente, pois o que é constatado pelo autor como a violência instituída em seu tempo não é duradoura, é condição passageira. A resposta de Deus se dará no tempo oportuno. A mesma história que nos apresenta a morte de Abel pelas mãos de Caim ou a divergência entre Esaú e Jacó nos mostra também Deus salvando a humanidade e a criação por Abel; a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito e o definitivo da revelação que é o resgate de toda a humanidade pela fidelidade de Jesus, representada no seu sangue derramado na cruz.


Ainda cavalgam em alta velocidade os quatro cavaleiros que ferem o mundo até à morte, porém quem chegar ao término das visões apocalípticas verá que a palavra derradeira e definitiva para o destino da humanidade está em Deus e no Cordeiro que “reinarão pelos séculos dos séculos” (Ap 22,6) e não nos horrores que campeiam em meio à humanidade. É preciso manter viva a esperança!





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