29. Andar com fé eu vou


“A tua fé te salvou, vai em paz”,
disse Jesus à mulher (Mc 5,34)
“Andar com fé eu vou,
que a fé não costuma falhar...
A fé tá viva e sã”.
(Gilberto Gil)
Nossas grandes cidades vivem abarrotadas de gente amontoada por todos os lados. Nos metrôs, nos ônibus, nas ruas, nos shows, nos shoppings, até nas escolas... Uma multidão de gente cheia de afazeres, correndo pra lá e pra cá, sem tempo para viver, sem tempo para ser. Um aglomerado de indivíduos meio mutantes, meio estranhos, alheios uns aos outros, cada qual carregando sua dor e despistando-a para que ela não lhes seja fatal. No íntimo de cada um, uma dor pungente pode estar dilacerando os ânimos, destruindo os dias... Uma esperança pode estar sendo nutrida... A força motriz da fé pode ter lá seu germe, seu princípio gerador...
Como dar conta de dias amargos e não nos deixar corroer quando percebemos que a esperança se esvai? Como manter acesa a chama da fé, aquela capaz de sarar os corações e fazer redescobrir os ânimos? Como não nos deixar abater, quando tudo parece nos sufocar e nos obrigar a viver sem ela? Como não deixar morrer em nós o desejo de mais vida, de ser mais?
Escondida e anônima na multidão, lá estava uma mulher sofredora, fazia doze anos padecia de hemorragias. Doze anos é tempo completo; nada de novo ela podia esperar, nenhuma novidade boa podia mais lhe acontecer. Restava a ela conformar-se ao mal que a maltratava e viver excluída, como uma impura, longe do convívio social, banida do culto e da vida dos seus.
Cansada, porém, de tamanha exclusão, a mulher não se conforma. Qual o mal que sorrateiramente dela se apossou, a hemorroísa se atreve a imiscuir-se em meio às gentes e aproximar-se de Jesus, nem que seja por detrás dele, apenas para tocar em suas vestes. Sua fé a movia; seu desejo de mais, seu sonho não sufocado pela doença movimentava suas pernas, apesar da fraqueza da hemorragia. Sua fé era puro desejo que move, arrasta, empurra, desinstala...
Tocando as vestes do Mestre, um vigor lhe foi transmitido. “Alguém me tocou; uma força saiu de mim”, disse Jesus (Mc 5,30-31). Como que por osmose, uma energia vital saiu do Mestre de Nazaré e entrou em cada célula daquele corpo abatido, estancando a vida que se esvaía em forma de hemorragia. E aquela que estava acostumada a ouvir xingos e palavrões, expulsando-a do convívio social e confinando-a a uma vida isolada, ouviu palavras animadoras: “Vai em paz! Tua fé te salvou!”. E eis que Renato Russo tinha razão quando cantou: “Quando tudo nos parece dar errado, acontecem coisas boas que não teriam acontecido se tudo tivesse dado certo”. A mulher que padecia de fluxo de sangue experimentou a maior de todas as alegrias e pode retomar seu caminho, pois a fé é força para viver, capaz de estancar hemorragias inimagináveis...
Gilberto Gil cantou com sabedoria: “Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar”. A escolha do cantor popular parece bem apropriada: andar com fé, viver de fé, essa força animadora que faz viver, que devolve vida e esperança a dias sofridos.
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