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13. Palavra criadora

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25.12.2014 | 3 minutos de leitura
Solange Maria do Carmo
Crônicas
13. Palavra criadora

“A Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14)



Há palavras que nos beijam 
Como se tivessem boca. 
Palavras de amor, de esperança, 
De imenso amor, de esperança louca.
(Alexandre O’Neill)



Uma palavra pode curar ou matar; pode beijar ou bater... Uma palavra pode criar e recriar; pode salvar e dar esperança. Palavras têm força; mexem com a gente, nos edificam ou nos destroem. Muitas vezes são performativas; realizam o que significam. Quando alguém nos diz “te amo!”, não são apenas sons que tocam nosso coração, mas o amor que as palavras exalam. Não fossem ditas com ternura e paixão, não teriam efeito algum. Quando dizemos “Coragem!”, a alma do ouvinte se inflama de força, pois junto com o som exprimido há uma energia benfazeja que emana de nós e o atinge. E quando ouvimos “Idiota!”? Seria o som a nos entristecer ou a força destruidora da palavra dita?


Palavras são sinal de presença... Ainda que seja um sussurro, um gemido, um suspiro! Basta um “hum!” para acender uma esperança e um “ai” para pedir socorro! Ah! Palavras têm bocas; nos beijam ou nos mordem, criam ou destroem... Constroem pontes ou abismos...


Eis que Deus, na sua imensa bondade, proferiu uma palavra. Palavra que só poderia ser um beijo criador, pois é sinal de seu amor desmedido, de sua ternura desmesurada... Ele não precisava ter dito nada; poderia ter se retirado num silêncio inerte e infecundo, como costumam ser muitos silêncios. Mas ele disse: “‘Faça-se a luz’. E a luz se fez!” (Gn 1,3). E, com ela, as plantas, as flores, as sementes, as árvores, os animais, os seres humanos, a vida tão rara... A vida pululou a terra porque uma palavra foi proferida. Deus beijou o caos e o cosmos aconteceu!


E, como se não bastasse criar, fazer a vida acontecer com seu beijo criador, a Palavra também quis habitar entre nós, quis ser gente, experimentar a miséria humana, inclusive de estar sujeito às palavras. E “a Palavra se fez carne, e habitou entre nós” (Jo 1,14). E teve de aprender tudo, inclusive falar como nós (Jo 1,14). A Palavra divina se humanizou em Jesus, num menino nazareno, e, desde então, a humanidade inteira foi divinizada e todas as realidades humanas foram santificadas. “E nós recebemos, de sua plenitude, graça sobre graça” (Jo 1,17). E nunca mais a humanidade foi a mesma, desde que ela habitou entre nós. Deus beijou definitivamente a Terra com sua Palavra que se fez carne: criados e salvos pela Palavra de Deus.





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