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11. Enfaixando feridas, retirando fardos

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12.12.2014 | 3 minutos de leitura
Solange Maria do Carmo
Crônicas
11. Enfaixando feridas, retirando fardos

(Ao Frei João Júnior, por ocasião dos seus votos solenes)


Vinde a mim todos vós que estais cansados e carregados de fardos,
e eu vos darei descanso"
(Mt 11,29)



Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma,
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma,
A vida não para.


Enquanto o tempo acelera e pede pressa,
Eu me recuso faço hora vou na valsa,
A vida é tão rara


(Lenine)



Se tem algo prazeroso nessa vida é a sensação de descanso... O corpo pede cama, pede água, pede alimento, pede prazer; a alma pede aconchego, pede alívio, pede comunhão, pede amor... E que coisa deliciosa, quando saciados – corpo e alma – nos entregamos ao descanso. Desde dentro, no coração, ou na epiderme dele – na pele, nos ossos, no corpo – a vida pede repouso e não é possível viver sem ele.


Sabendo da importância da saciedade de nossos desejos mais profundos, as Escrituras dizem: "Todos vós que estais com sede, vinde buscar água!" (Is 55, 1a). E o Senhor se apresenta como aquele que tem a água da vida para ofertar: "Se alguém tem sede vinde a mim e beba!" (Jo 8,37). Água que sacia mais que o corpo, mais que a alma, mas a vida toda na sua completude, na sua inteireza.


Jesus não se cansa de se apresentar a nós como aquele que tem vida para dar; vida que não desabrocha sob fardos ou pesos impostos, nem mesmo pela religião, pois nem em nome de Deus é razoável sobrecarregar. Qualquer religião que assim o faça não cumpre sua missão mais nobre, sua tarefa última: religar as pessoas com Deus; ajudá-las a se reencontrarem com o Deus da vida, Aquele que gera vida sempre, pois ele é amor e o amor é fecundo.


Engana-se quem pensa que a religião pode cercear, pode constranger... A fé genuína que a religião verdadeira oferece tira fardos, destrói jugos, dá descanso... Não é à toa que o primeiro livro da bíblia, o Gênesis, num dos relatos da criação nos diz: "No sétimo dia, Deus concluiu toda obra que tinha feito; e no sétimo dia repousou de toda obra que fizera" (Gn 2,2), porque o repouso é sagrado e é o ponto máximo da criação: Deus nos criou para o repouso, para a plenitude nele.


Eis, pois, a função mais nobre, mais sublime a que a fé cristã é chamada: aliviar fardos, tirar jugos, dar repouso... Há muitas feridas a serem enfaixadas; muitos corações a serem consolados; muitos fardos a serem arrancados de ombros cansados que a vida, em seu mistério, reservou a nossos irmãos. Em nome da fé e por causa dela, movidos pelo amor que a sustenta, sejamos descarregadores de fardos alheios. Deixemos vir a nós, como Jesus, aqueles que se sentem cansados e aflitos... Ouçamos o que o Mestre de Nazaré nos diz: "Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis o descanso para vós. Pois meu jugo é suave e o meu fardo é leve!" (Mt 11,29-30). Assim como ele nos alivia o cansaço, sejamos aliviadores do cansaço alheio, afinal "a vida é tão rara"!





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