99. Basta de Violência contra a mulher
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21.07.2021 | 2 minutos de leitura

Diversos

Foi um DJ, a respeito do qual nunca ouvi o nome até que as cenas de violência praticadas por ele contra a sua esposa, Pamela Hollanda, fossem divulgadas por ela nas redes sociais no início desta semana. Foi um DJ, mas poderia ser também o bom pai de família que é seu vizinho, o comerciante bem-sucedido do bairro, o brilhante esportista, o crente fiel da Igreja. Foi um DJ, mas poderia ser qualquer homem do seu ou do meu círculo de convivência. E essa constatação não é absurda, simplesmente porque as relações abusivas, nas quais se constatam diversos tipos de violência contra a mulher, são mais comuns do que pensamos. No fundo, assim como o racismo, a violência contra a mulher estrutura a sociedade patriarcal misógina machista na qual vivemos.
Cenas como essa de espancamento da esposa na frente de uma criança ou de adultos ou outras cenas permeadas por ameaças ou agressões psicológicas e simbólicas são praticadas, muitas vezes, sob o olhar silencioso de parentes, vizinhos e conhecidos, não apenas dentro de casa, embora esse seja o lugar privilegiado pelos agressores, mas também em locais públicos. Na maioria dos casos, todos inventamos desculpas como: \"ele está de cabeça quente\". O fato é que, silenciosamente, a violência contra a mulher vai se alastrando e deixando um número crescente de mulheres que perdem a vida dramaticamente ou são condicionadas a viverem a vida sepultadas pelas imposições de pais e maridos ou até mesmo de filhos. E essas realidades, se olharmos atentamente ao nosso redor, podem ser observadas, inclusive, em nossas famílias.
Mas é preciso olhar com consciência para constatar que a violência contra a mulher está mais próxima do que imaginamos. Isso é necessário porque a violência contra a mulher é produto e produtora da cultura patriarcal, cuja envergadura consiste na supremacia do macho em todas as relações sociais. Por essa razão, as estruturações que daí decorrem enquanto cultura passam a ser internalizadas e naturalizadas pelas pessoas, de modo a não se permitirem questionar a respeito dos comportamentos violentos que se manifestam no cotidiano, no ordinário dos dias e dentro de nossas casas ou outros locais frequentados por nós, como os espaços de trabalho ou lazer.
Não há dúvidas de que a sociedade patriarcal é do interesse de grupos detentores de poder que se firmaram até aqui estabelecendo padrões para o comportamento submisso de mulheres e outras minorias. Também não há dúvidas de que todos fomos formados para desempenhar os papéis preestabelecidos, a fim de manter o movimento saudável das engrenagens do patriarcado. Mas é incontestável o fato de vermos essas mesmas engrenagens expostas e cada vez mais pessoas podem compreender como elas funcionam e como elas precisam do pleno engajamento das mulheres para não ruírem. O primeiro passo para a demolição dessas estruturas foi dado e continua sendo dado pelos feminismos teóricos e práticos, de diferentes estirpes, na promoção de outra consciência coletiva fundada na equidade de gêneros.
Diante do cenário que vivemos, perguntamo-nos o que podemos fazer como cristãs e cristãos e como sociedade no sentido de salvar a vida das mulheres que sofrem solitárias diversas violências em virtude da vigente organização sociocultural. O primeiro passo consiste em, objetivamente, salvar a vida das mulheres que pudermos. Intervir em situações de nosso conhecimento. Interromper os atos de violência e ligar 180, a fim de que as autoridades atuem por sua parte. Prestar apoio às vítimas sem normalizar os atos dos agressores, mostrando-lhes, se possível, suas plenas capacidades. O segundo passo, tão urgente e necessário, consiste em oportunizar espaços de formação e conscientização sobre essas práticas. A educação – feminista? Sim. – é o meio mais eficaz de transformação da cultura de morte, que o patriarcado representa, para uma cultura de vida, que todas nós almejamos para todas as pessoas. Basta de violência contra a mulher. Denuncie.
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