104. A proteção de crianças e adolescentes é a acolhida do Reino
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25.08.2021 | 4 minutos de leitura

Diversos

O 18 de maio, é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data faz memória do caso da menina Araceli Crespo, que, aos seus oito anos de idade, foi sequestrada, violentada e morta cruelmente por membros de famílias influentes no estado do Espírito Santo, no ano de mil novecentos e setenta e três. As crianças e os adolescentes são expostos constantemente a diversos tipos de violências. Muitas delas são praticadas por pessoas que ocupam a função de cuidadores e protetores desses. Isso nos faz perceber que essas violências tendem a acontecer dentro da própria casa na qual vivem as crianças e adolescentes. Por esse motivo, na maioria das vezes, essas violências ficam encobertas e seu rastreamento depende de um olhar atencioso para esses sujeitos, de modo a compreender os sinais que podem ser emitidos por eles.
A pandemia tem servido como uma espécie de cortina para ocultar muitas dessas violências contra as crianças e adolescentes, que estão obrigadas a conviver por mais tempo com seus abusadores. Alguns casos ganham relevância midiática e passam a ser noticiados pela imprensa. Mas a maior parte dos casos permanece velada, sem chegar aos registros das autoridades públicas. Não podemos negligenciar a ocorrência desses casos em outros locais nos quais se presume a proteção de crianças e adolescentes. Entre esses lugares, a Igreja, espaço de fé e acolhida, e suas instituições sangram, pelas ações de alguns de seus membros, a dor pelo abuso e violência sexual de crianças e adolescentes em movimentos, grupos, comunidades, seminários, orfanatos, entre outros. É, sem dúvidas, um dos rostos mais perversos da comunidade cristã que revela o protagonismo contra o Evangelho e o Reino de Deus no trato com os pequeninos. A escola, embora também possa se tornar outro lugar de violências praticadas por professores, colaboradores técnicos e administrativos e pelos pares, é ainda um dos poucos espaços nos quais a exigência da proteção e do cuidado permitem identificar se determinada criança ou adolescente tem sofrido algum tipo de violência em casa, na própria escola ou em seu entorno.
É importante ressaltar que todo adulto é responsável por cuidar, proteger e encaminhar para as autoridades competentes os possíveis crimes que possam estar sendo cometidos contra um vulnerável. A data que hoje destacamos deve nos ajudar a compreender que as crianças e adolescentes estão expostos às diversas violências e que elas devem ser identificadas e combatidas com brevidade. Além disso, ela deve nos ensinar a olhar para esses pequeninos e reconhecê-los como sujeitos, possuidores de direitos e deveres. Nessa perspectiva, é importante considerar que a criança e o adolescente devem ser tratados como seres humanos de capacidades, competências e criatividade, com plenas potencialidades de desenvolvimento e crescimento. Em nossa sociedade da adultização, essa consciência é pouco explorada, de modo que nos acostumamos a tratá-los como pessoas de segunda categoria, sobre quem dominamos e nos autorizamos a silenciá-los, de modo a endossar que suas vivências e experiências pouco importam para nós quando comparados com nossos problemas da vida adulta.
Nessa perspectiva, o Evangelho de Jesus tem muito a nos ensinar. O mestre de nossas vidas nos instrui a receber as crianças (Cf. Mc 9,36-37) como sinal do acolhimento da sua mensagem e do Reino. Seu ensinamento se dá no sentido de valorizá-las como pessoas possuidoras de dignidade. Porque também elas, suas vivências e experiências, são lugares teológicos, nos quais Deus se aproxima daqueles que as recebem como se recebessem seu próprio Filho. Por isso, o contrário dessa práxis que é, precisamente, a rejeição das crianças e adolescentes, a violação e o abuso de seus direitos e dignidade é o fechamento e rechaço do Reino inaugurado por Jesus, postura de quem assume a condição de inimizade com Deus. Nessa esteira, que os apelos do dia de hoje e aqueles que nos chegam pelas crianças e adolescentes que a nós são confiados façam de nós mulheres e homens, cristãs e cristãos engajados na luta pelo combate das violências e abuso sexual das crianças e adolescente, pela proteção integral de cada um desses pequeninos e pelos direitos que jamais poderão ser usurpados ou negados a eles.
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