95. O Brasil é uma peça
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28.05.2021 | 3 minutos de leitura

Diversos

O Brasil contemporâneo é uma peça trágica e dramática, tanto para seus cidadãos quanto para todo o mundo. Não há riso ou alegria, é um total desprezo pela vida e um deboche sem limites de quem vai tentando enfrentar com alguma dignidade esse tempo de adversidades e maldades em que temos vivido.
Os atores principais dessa tragédia e drama são denominados negacionistas. Eles negam a realidade e os acontecimentos, essa é a marca mais forte deles, porque rejeitam todas as provas e evidências científicas. E eles se projetam numa compreensão mágica do mundo. Apegam-se a pseudoverdades, normalmente creditadas apenas por eles. São inventores de teorias conspiratórias que não podem ser comprovadas. Além disso, são exímios prescritores de soluções mágicas, de pílulas salvadoras, que só fazem adiar o encerramento das cortinas e o fim do choro da plateia, que vive esse momento com perplexidade, porém anestesiada e até mesmo indiferente.
Ao lado dos negacionistas estão os fundamentalistas. Esses estão por toda a parte. Não apenas surgem e roubam a cena vez ou outra, numa cena lamentável de assassinato de crianças e professoras inocentes, eles normalmente estão nos bastidores, compondo narrativas que elegem inimigos comuns, pelo simples fato de apresentarem alguma divergência às expectativas desse grupo. Além disso, disseminam o ódio e levantam bandeiras de extermínio àqueles que não se rendem aos seus dogmas. E esses fundamentalistas atuam a partir de seu texto sagrado ou da sua doutrina e, embora não seja uma regra, disseminam-se por entre os bastidores, a fim de controlar consciências e corpos e angariar adeptos dispostos a não dialogarem com a realidade.
Obviamente, a tragédia pública se apresenta num cenário favorável. Nele se verifica a presença de um vírus mortal, a ausência de políticas de cuidado e autopreservação, uma péssima distribuição de renda, o desemprego e a corrupção generalizada. Além disso, os atores principais criaram nesse cenário, por um lado, a atmosfera do medo, por outro lado, o total relaxamento dos corpos e das consciências para o perigo que é estar na plateia nesse momento que exige, na perspectiva da mudança de rumos, outros personagens, mesmo coadjuvantes, mas que roubem, aos poucos, a cena, de modo a contornar o curso do dramático momento que vivemos.
É nessa perspectiva que devemos compreender que não há peça e atores sem público, sem a plateia, sem espectadores. Por isso, é urgente, se quisermos fechar as cortinas do horror e do caos, levantarmo-nos das cadeiras nas quais já nos sentimos desconfortáveis, mas ainda nos assentamos paralisados diante da vida e da morte que se alastra. Na plateia estamos aos milhões, desconhecedores da possibilidade de nos levantarmos, de nos reerguermos e de interromper a peça que passa diante de nossos olhos incrédulos. Na plateia, somos diversos em crenças, opiniões, visões de mundo, ideologias. Mas a crença na existência e na beleza nos une e nos faz enxergar que estamos diante da tragédia da vida real. Sufocado, o país balbucia por mudanças significativas, pela troca dos atores que comandam a tragédia, por gente honesta e sincera capaz de construir, nos bastidores e no palco da vida, uma narrativa menos dramática e mais possível junto ao povo do nosso país.
Os atores principais dessa tragédia e drama são denominados negacionistas. Eles negam a realidade e os acontecimentos, essa é a marca mais forte deles, porque rejeitam todas as provas e evidências científicas. E eles se projetam numa compreensão mágica do mundo. Apegam-se a pseudoverdades, normalmente creditadas apenas por eles. São inventores de teorias conspiratórias que não podem ser comprovadas. Além disso, são exímios prescritores de soluções mágicas, de pílulas salvadoras, que só fazem adiar o encerramento das cortinas e o fim do choro da plateia, que vive esse momento com perplexidade, porém anestesiada e até mesmo indiferente.
Ao lado dos negacionistas estão os fundamentalistas. Esses estão por toda a parte. Não apenas surgem e roubam a cena vez ou outra, numa cena lamentável de assassinato de crianças e professoras inocentes, eles normalmente estão nos bastidores, compondo narrativas que elegem inimigos comuns, pelo simples fato de apresentarem alguma divergência às expectativas desse grupo. Além disso, disseminam o ódio e levantam bandeiras de extermínio àqueles que não se rendem aos seus dogmas. E esses fundamentalistas atuam a partir de seu texto sagrado ou da sua doutrina e, embora não seja uma regra, disseminam-se por entre os bastidores, a fim de controlar consciências e corpos e angariar adeptos dispostos a não dialogarem com a realidade.
Obviamente, a tragédia pública se apresenta num cenário favorável. Nele se verifica a presença de um vírus mortal, a ausência de políticas de cuidado e autopreservação, uma péssima distribuição de renda, o desemprego e a corrupção generalizada. Além disso, os atores principais criaram nesse cenário, por um lado, a atmosfera do medo, por outro lado, o total relaxamento dos corpos e das consciências para o perigo que é estar na plateia nesse momento que exige, na perspectiva da mudança de rumos, outros personagens, mesmo coadjuvantes, mas que roubem, aos poucos, a cena, de modo a contornar o curso do dramático momento que vivemos.
É nessa perspectiva que devemos compreender que não há peça e atores sem público, sem a plateia, sem espectadores. Por isso, é urgente, se quisermos fechar as cortinas do horror e do caos, levantarmo-nos das cadeiras nas quais já nos sentimos desconfortáveis, mas ainda nos assentamos paralisados diante da vida e da morte que se alastra. Na plateia estamos aos milhões, desconhecedores da possibilidade de nos levantarmos, de nos reerguermos e de interromper a peça que passa diante de nossos olhos incrédulos. Na plateia, somos diversos em crenças, opiniões, visões de mundo, ideologias. Mas a crença na existência e na beleza nos une e nos faz enxergar que estamos diante da tragédia da vida real. Sufocado, o país balbucia por mudanças significativas, pela troca dos atores que comandam a tragédia, por gente honesta e sincera capaz de construir, nos bastidores e no palco da vida, uma narrativa menos dramática e mais possível junto ao povo do nosso país.
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