72. O lugar dos gays
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26.10.2020 | 5 minutos de leitura

Diversos

Nós precisamos responder para nós mesmos o porquê de o mundo não nos surpreender e assustar mais em nossos tempos. Ainda hoje ouvimos em diversos ambientes e da boca de diversas pessoas, das mais simples até as mais doutas, absurdos relativos à sexualidade humana. Tais absurdos são consequência do preconceito, do desconhecimento científico e da maldade de quem sabe alimentar o ódio contra determinados grupos e minorias.
Em pleno século 21, ainda somos forçados a discutir o \"lugar\" dos gays na sociedade e nas instituições religiosas. O que se afirma sobre essas pessoas, também deve ser estendido ao grupo maior dos que divergem da condição heterossexual, que acabou assumindo um lugar tenente de normatividade sexual e cultural nas sociedades contemporâneas. O grupo dos divergentes é hoje identificado por uma sigla alfabética que parece se abrir cada vez mais para abarcar a complexidade sexual e afetiva humana em seu enigma.
É importante ressaltar que muitos lugares se encontram fechados para a presença e participação das pessoas LGBTIs. No entanto, as pessoas que cerram as portas e as oportunidades são as mesmas incansáveis em abrir as portas dos armários para que os divergentes voltem para lá e de lá não saiam jamais com seus corpos, linguagens e simbólicas; que não estabeleçam relações e não tomem parte nas instituições humanas ocupando lugares de direito.
Nesse aspecto, precisamos considerar o direito de as pessoas ocuparem com seus corpos os espaços e as instituições humanas que desejarem no horizonte de suas liberdades. Nenhum espaço deve ser subtraído de uma pessoa. Com relação aos espaços religiosos institucionais, tampouco devem ser negados a quem quer que seja.
Uma vez que a religiosidade é entendida como componente humano e que pode ser vivida a partir de espaços religiosos institucionalizados, não há sentido em negar às pessoas LGBTIs o direito à fé e, nessa esteira, a uma fé que passe pela instituição religiosa. Negar essa possibilidade é, simplesmente, não reconhecer tais pessoas como seres humanos dotados de competências, capacidades, sentidos. É apelo eugenista. Narcisismo convexo.
Posto isso, no caso do cristianismo, é importante considerar que, se por um lado a fé é compreendida como dom de Deus para o ser humano e resposta humana a Deus, por outro lado ela acabou sendo mediada por leis e normas, ajustadas a partir da interpretação do que se compreende da revelação divina, por parte do grupo que exerce o poder dentro das instituições cristãs. Por essa razão, ainda se vê o embate desajustado e muitas vezes desonesto no campo da sexualidade humana nos espaços institucionais de vivência da fé.
No entanto, conforme sublinhamos, as leis e normas das instituições dependeram de um processo de interpretação realizado por quem exerceu costumeiramente o poder nesses espaços. Por isso, é sempre razoável retomar a boa notícia revelada da parte de Deus, para não cairmos numa religião legalista capaz de banir do seu meio aqueles que são julgados por não se encaixarem às normas, normas que podem estar à margem do amor e da misericórdia, que são os fundamentos para que se reconheça a humanidade e a fé de alguém que se decidiu por Jesus e pelo evangelho do Reino.
Por essa razão, as instituições cristãs, se fiéis ao evangelho, não deveriam negar passagem a nenhuma pessoa. Pois se agem na acolhida de corruptos, assassinos e desordeiros da paz, acreditando na sua conversão (sic para o etos afirmado), por que haveriam de fechar as portas aos homens e mulheres de boa vontade que procuram a Deus e sua palavra? A não ser que as intenções sejam outras, que não se pretenda uma vivência comunitária da fé cristã, mas a manipulação e a formatação de uma instituição farsista. Fascista.
No entanto, antes de toda essa discussão, é preciso perguntar às pessoas LGBTIs se elas desejam tomar parte em espaços segregacionistas e viverem sua fé ali como testemunho e resistência na companhia desagradável de lideranças e outros fiéis, irmãos e irmãs que estão mais atrasados no amor e na misericórdia ensinados por Jesus. Fora do carisma evangélico, o que resta é a instituição pela instituição, e essas se multiplicam graças à criatividade humana em qualquer esquina e conforme o gosto de quem as quer ocupar.
Por outro lado, não é desnecessário afirmar que as portas do Reino inaugurado pelo Mestre de nossas vidas estão sempre abertas, correndo o risco de a gente desprezada e mal falada entrar primeiro que os doutores e doutoras da lei e da religião. Para além de toda essa discussão, basta a simplicidade do gesto: \"Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo\" (Ap 3,20).
Em pleno século 21, ainda somos forçados a discutir o \"lugar\" dos gays na sociedade e nas instituições religiosas. O que se afirma sobre essas pessoas, também deve ser estendido ao grupo maior dos que divergem da condição heterossexual, que acabou assumindo um lugar tenente de normatividade sexual e cultural nas sociedades contemporâneas. O grupo dos divergentes é hoje identificado por uma sigla alfabética que parece se abrir cada vez mais para abarcar a complexidade sexual e afetiva humana em seu enigma.
É importante ressaltar que muitos lugares se encontram fechados para a presença e participação das pessoas LGBTIs. No entanto, as pessoas que cerram as portas e as oportunidades são as mesmas incansáveis em abrir as portas dos armários para que os divergentes voltem para lá e de lá não saiam jamais com seus corpos, linguagens e simbólicas; que não estabeleçam relações e não tomem parte nas instituições humanas ocupando lugares de direito.
Nesse aspecto, precisamos considerar o direito de as pessoas ocuparem com seus corpos os espaços e as instituições humanas que desejarem no horizonte de suas liberdades. Nenhum espaço deve ser subtraído de uma pessoa. Com relação aos espaços religiosos institucionais, tampouco devem ser negados a quem quer que seja.
Uma vez que a religiosidade é entendida como componente humano e que pode ser vivida a partir de espaços religiosos institucionalizados, não há sentido em negar às pessoas LGBTIs o direito à fé e, nessa esteira, a uma fé que passe pela instituição religiosa. Negar essa possibilidade é, simplesmente, não reconhecer tais pessoas como seres humanos dotados de competências, capacidades, sentidos. É apelo eugenista. Narcisismo convexo.
Posto isso, no caso do cristianismo, é importante considerar que, se por um lado a fé é compreendida como dom de Deus para o ser humano e resposta humana a Deus, por outro lado ela acabou sendo mediada por leis e normas, ajustadas a partir da interpretação do que se compreende da revelação divina, por parte do grupo que exerce o poder dentro das instituições cristãs. Por essa razão, ainda se vê o embate desajustado e muitas vezes desonesto no campo da sexualidade humana nos espaços institucionais de vivência da fé.
No entanto, conforme sublinhamos, as leis e normas das instituições dependeram de um processo de interpretação realizado por quem exerceu costumeiramente o poder nesses espaços. Por isso, é sempre razoável retomar a boa notícia revelada da parte de Deus, para não cairmos numa religião legalista capaz de banir do seu meio aqueles que são julgados por não se encaixarem às normas, normas que podem estar à margem do amor e da misericórdia, que são os fundamentos para que se reconheça a humanidade e a fé de alguém que se decidiu por Jesus e pelo evangelho do Reino.
Por essa razão, as instituições cristãs, se fiéis ao evangelho, não deveriam negar passagem a nenhuma pessoa. Pois se agem na acolhida de corruptos, assassinos e desordeiros da paz, acreditando na sua conversão (sic para o etos afirmado), por que haveriam de fechar as portas aos homens e mulheres de boa vontade que procuram a Deus e sua palavra? A não ser que as intenções sejam outras, que não se pretenda uma vivência comunitária da fé cristã, mas a manipulação e a formatação de uma instituição farsista. Fascista.
No entanto, antes de toda essa discussão, é preciso perguntar às pessoas LGBTIs se elas desejam tomar parte em espaços segregacionistas e viverem sua fé ali como testemunho e resistência na companhia desagradável de lideranças e outros fiéis, irmãos e irmãs que estão mais atrasados no amor e na misericórdia ensinados por Jesus. Fora do carisma evangélico, o que resta é a instituição pela instituição, e essas se multiplicam graças à criatividade humana em qualquer esquina e conforme o gosto de quem as quer ocupar.
Por outro lado, não é desnecessário afirmar que as portas do Reino inaugurado pelo Mestre de nossas vidas estão sempre abertas, correndo o risco de a gente desprezada e mal falada entrar primeiro que os doutores e doutoras da lei e da religião. Para além de toda essa discussão, basta a simplicidade do gesto: \"Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo\" (Ap 3,20).
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