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59. Só o amor é mais forte que a morte

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12.07.2020 | 3 minutos de leitura
Tânia da Silva Mayer
Diversos
59. Só o amor é mais forte que a morte

Papa Francisco alertou contra o 'vírus da indiferença egoísta', que despreza o valor da vida humana (Pam Santos / @soupamsantos)



Com o avanço dos dias, acabamos nutrindo

um sentimento de naturalização da morte



Só o amor é mais forte que a morte. Essa constatação bíblica parece ser o cerne da revelação pascal ocorrida na morte e ressurreição de Jesus Cristo. Conforme a fé cristã ensinou e transmitiu, ele é o primeiro vencedor da morte. Somente o amor de Deus foi capaz de gerar nova vida na adversa situação da morte, na qual a prevalência do nada informava que a existência não valia a pena.


Vivemos num contexto que depõe radicalmente contra a vida. O vírus da Covid-19 está mostrando o quanto estamos imersos em nossa própria vulnerabilidade humana. A precariedade de nossas existências se mostra tão radicalmente que é preciso nos perguntarmos, dia após dia, sobre o sentido de tudo o que estamos vivendo. Com o avanço dos dias, acabamos nutrindo um sentimento, individual e coletivo, de naturalização da morte e do morrer humano. Esse sentimento gera outro, dessa vez, de desprezo pela própria vida.


Por isso mesmo, o desprezo pela vida é constatado desde as autoridades políticas ou religiosas até os cidadãos em suas práticas concretas e cotidianas. Nesse sentido, não é de espantar o fato de que muitas pessoas continuem insensíveis ao contexto de pandemia mundial que experimentamos, vivendo suas vidas como se nada estivesse acontecendo e como se seus atos não afetassem suas vidas e as vidas de milhares de pessoas.


O papa Francisco já havia alertado os ouvidos atentos para a disseminação de um vírus tão cruel quanto esse que estamos enfrentando. Ele falou do "vírus da indiferença egoísta". Quando o egoísmo prevalece, verificamos um retorno direto da pessoa para o eu, de tal maneira que as alteridades não podem ser percebidas num horizonte maior da existência. É nesse momento que constatamos que o amor morreu ou se enfraqueceu a tal ponto de negar-se a si mesmo e a própria vida.


Por essa razão, diante da morte do amor, a vida se torna impossível. Alastram-se por todos os lados os sinais da morte, mas eles já não nos assustam mais, porque o único capaz de gerar a vida também está morto nos corações e na práxis das pessoas. E quando isso acontece, é sinal de que a humanidade perdeu. É sinal de que nós perdemos a antiquíssima batalha entre o ser e o nada. Caem por terra todas as possibilidades de transformarmos o que somos, individual e coletivamente, numa civilização do amor.


No entanto, a fé cristã deve seguir anunciado a vitória do amor, que é também a vitória da vida. Porque, de algum modo, haverá em algum coração uma fagulha que faça arder a esperança teimosa, que seguirá resistindo, contra todos os sistemas, fatos e acontecimentos, para que outra vida e outro mundo se tornem possíveis e valham a pena.





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