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40. Ter coragem e ser gentil

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11.08.2015 | 4 minutos de leitura
Yuri Lamounier Mombrini Lira
Crônicas
40. Ter coragem e ser gentil

“Sê firme e corajoso...” (Js 1,6)


 

“Não posso, não devo, não quero

Viver como toda essa gente insiste em viver.

Não posso aceitar sossegado


qualquer sacanagem ser coisa normal”


(Fernando Brant/ Milton Nascimento)



“É preciso endurecer,

sem jamais perder a ternura”.


(Che guevara)



As cantigas de roda e as histórias infantis são um perigo, pois nelas estão contidas de modo velado as coisas mais essenciais da existência. Porém, na maioria das vezes, isso é feito com tamanha sutileza que nem percebemos ou fingimos não entender. Até achamos lindo, mas logo pontuamos: “É só uma fábula... É pura fantasia! Na realidade não é assim”.


Um dia desses, fui assistir à nova versão de “Cinderela” e uma cena do filme muito me chamou atenção: instantes antes de morrer, a mãe de Cinderela diz para a filha que, ao longo da vida ela não se esquecesse de duas coisas: “Ter coragem e ser gentil!”. Essa frase é repetida várias vezes durante o filme. Não sei se essa expressão existe no texto original da história ou se foi pensada para a nova versão do filme, mas esse detalhe não importa!


Certamente, eu não fui o único que se comoveu com essa frase e nem sou o primeiro a escrever algo inspirado nisso. Mas, enfim, o que interessa é que, num tempo de tanta covardia e indelicadeza, a frase soa como um grito profético aos nossos ouvidos. Não é só um singelo e inocente refrão, mas uma meta, um projeto de vida.


Ter coragem e ser gentil! Se agirmos com bom coração, se sempre dermos o nosso melhor, se formos gentis, por mais adversas que sejam as situações pelas quais passamos, tudo há de ficar bem! Precisamos ter a coragem de ser gentil, mesmo diante dos medos, receios e problemas.


O patriarca Abraão, no Gênesis, prima pela gentileza... Sua tenda estava sempre aberta. E foi isso que o fez receber "anjos" como se fossem homens. E esses anjos lhe anunciaram que ele seria pai. Quem é gentil recebe Deus na pessoa do "outro”, mesmo sem o saber (cf. Gn 18, 1-15).


Lucas, em seu Evangelho, apresenta-nos Jesus discursando na planície e nos ensinando que ter coragem e ser gentil é agir com resignação. Diz-nos Jesus: “Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam. Falai bem dos que falam mal de vós e orai por aqueles que vos caluniam. Se alguém te bater numa face, oferece também a outra. E se alguém tomar o teu manto, deixa levar também a túnica. Dá a quem te pedir e, se alguém tirar do que é teu, não peças de volta. Assim como desejais que os outros vos tratem, tratai-os do mesmo modo” (Lc 6, 27-31).


Durante nossa existência, portanto, temos que nos esforçar para agir assim: fazer o bem, oferecer o melhor de nós. Mesmo quando as pessoas nos desprezarem, nos humilharem.


Uma vez me contaram um fato que aconteceu lá em Araxá. Conta-se que lá havia uma mulher chamada Dona Beja. Dizem que era uma muito caridosa e estimada em sua cidade; entretanto, era uma prostituta. Algumas distintas senhoras de sua cidade morriam de inveja dela e, um dia, se reuniram, pegaram uma bandeja de prata e a encheram de fezes, embrulharam a bandeja num pano e mandaram entregar de presente à Dona Beja. Ela recebeu o “presente”, mas não se abalou. Lavou e desinfetou a bandeja. Colheu as mais belas flores que havia no seu jardim e as colocou na bandeja e, então, enviou às distintas senhoras da cidade com um bilhetinho assim: “Cada um dá o que tem de melhor!”. Se é fato ou boato, não sei... mas a anedota tem muito a nos ensinar: coragem e gentileza são duas virtudes a cultivar!





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