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157. Vestígios de luz

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07.11.2017 | 3 minutos de leitura
Frei Abdias Júnior OFMCap
Crônicas
157. Vestígios de luz

“O Senhor ia diante deles numa coluna de fogo,

para iluminá-los” (Ex 13,21).



“Algumas pessoas são como as estrelas do céu,

ou como o sol de todo dia.

Você não precisa vê-las o tempo todo
para amá-las.

Pois o simples fato de existirem

já clareiam todo o dia da gente”.

(João Júnior)



Depois de uma viagem exaustiva, sob sol escaldante, nada como contemplar o pôr do sol. O entardecer tem suas belezas, apesar de carregar em si um “quê” de tristeza. O sol se despede, escondendo-se no horizonte, mas tal é sua generosidade que, mesmo depois de ter-se ido, deixa-nos vestígios de luz. O céu avermelhado cor de fogo lembra o braseiro que durante todo o dia se pôs sobre nossas cabeças. A força do astro-rei não se dissolve no ocaso. Durante algum tempo, sua energia ainda aquece a Terra e permanecemos sob seu efeito.


No deserto, o povo hebreu, tendo deixado para trás a Terra da Escravidão, caminhou com esperança rumo à Terra Prometida. De dia, protegendo-os do sol escaldante, o Senhor se manifestava na forma de uma nuvem protetora. De noite, o caminho continuava confiável, pois o mesmo Deus se fazia presente em forma de uma coluna incandescente. O sol do dia deixava rastros na nuvem possibilitando-lhes continuar seu percurso, mesmo quando a noite já tinha caído. É que a luz da fé não se dissolve quando as trevas das tribulações se põem sobre nossas cabeças. É que o amor experimentado não se esvai quando a vida obriga à ausência do amado.


Há pessoas que irradiam luz e calor; não precisam estar perto de nós para nos envolver com seu magnetismo. São capazes de dissipar as trevas que nos envolvem e, mesmo quando estão ausentes, permanecem presentes de alguma forma. O amor que nos entregaram, a sabedoria que nos ofereceram, os cuidados que nos dedicaram não nos abandonam quando elas precisam partir. Esta é uma das experiências mais gratificantes que a vida oferece: permanecer com os vestígios daquela luz com a qual sempre nos iluminaram.  


Que a noite vai cair, isso é certo. Que o dia com seu calor vai nos esgotar, isso também é certeiro. Que a claridade vai ser ofuscada pela treva do entardecer, disso também ninguém pode duvidar. Mas, diante do crepúsculo, manter os olhos bem abertos para captar até os derradeiros raios de luz é um privilégio. Assim também nas relações humanas. Não há de faltar a dor da separação. Não seremos privados da partida daqueles que amamos. Haveremos de ter de nos separar dos braços daqueles que nos são queridos. Mas, se o amor experimentado criou em nós experiências de eternidade, permaneceremos sob os vestígios daqueles que amamos.





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