77. Deus vem: vamos ao seu encontro
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07.12.2020 | 4 minutos de leitura

Diversos

O tempo do advento é vivido pelos cristãos como um momento oportuno de preparação para o Natal. Mas o movimento de nossa época pode fazer compreendê-lo apenas como uma faixa de transição entre uma data e outra. Isso pode ser impulsionado quando os discursos nesse período tendem a enfatizar certa especulação comercial que movimenta as engrenagens mais sutis do sistema capitalista, impulsionando o sintoma do consumismo em pessoas de diversas classes sociais. Não obstante, graças ao contexto histórico de pandemia que vivemos e aos avanços tecnológicos que tornam a virtualidade cada vez mais imperiosa socialmente, tende-se a buscar encurtar o tempo, acelerar as etapas, concretizar os processos. Perde-se o sentido de espera, mina-se o desejo de ir ao encontro do Senhor que vem.
Quando esse tempo sofre os impactos dos acontecimentos de nossa época, ele pode acabar esvaziando o seu sentido. E, nessa perspectiva, pode-se perceber como o movimento do encontro entre Deus e o ser humano fica comprometido. Isso acontece porque nosso desejo de Deus ficou perdido no engano das realizações imediatas, das soluções mágicas, da fugacidade da espera, da falsa pressa pela realização dos encontros. Por sua parte, não há uma negativa de Deus em vir ao nosso encontro. Por isso, pode-se falar na perspectiva de um Deus advento, cuja presença expõe-se como convite e não como uma imposição, tal com ele se revelou e se revela ao longo do tempo e a todas as pessoas que o procuram e o invocam.
Nesse sentido, as disposições interiores para a vivência desse tempo devem ser repensadas. Porque não se trata da vivência de um formalismo de uma sociedade ou de uma religiosidade do poder do dinheiro, do status e do sucesso. O tempo do advento é uma oportunidade para rever a relação com Deus, relação de despojamentos. Por isso, a oração é um elemento fundamental. É preciso querer conversar com Deus, ouvi-lo e desejar a companhia dele em nossas vidas, apresentar a ele nossas pelejas cotidianas e caminhar na história confirmando nosso desejo de fazer da existência uma conversão contínua à proximidade de Deus que não se cansa de nos buscar, mesmo quando nossos passos não caminham em direção ao amor que ele gratuitamente nos oferece.
Nessa esteira, vale ressaltar que o advento não se configura apenas na verticalidade da relação com Deus. Ele se manifesta pela via da solidariedade que nos coloca na busca da relação da justiça em nossas relações sociais. Nesse tempo de pandemia, a solidariedade pode se realizar de diferentes maneiras, uma vez percebida a existência de muitas problemáticas entre nós. Mas a mais urgente expressão de solidariedade é a postura que preza pela vida dos irmãos e irmãs, sobretudo daqueles e daquelas que se encontram nas fileiras da vulnerabilidade social e sanitária, porque mais expostos à contaminação e à fome, que sabemos que podem levar à morte.
O tempo do advento é momento oportuno para ir ao encontro de Deus que vem, e é também tempo urgente de ir ao encontro do outro, ser presença mobilizadora de uma vida com qualidade, pois a glória de Deus resplandece quando o ser humano tem sua vida garantida e potencializada. Por isso mesmo, os cristãos e as cristãs são chamados a viver esse tempo com qualidade e profundidade, à revelia da pressa que o mundo ostenta fugindo de Deus e das pessoas, marca da indiferença de quem não se dispõe ao deslocamento necessário para que se realize um encontro com Deus ou com as pessoas.
Quando esse tempo sofre os impactos dos acontecimentos de nossa época, ele pode acabar esvaziando o seu sentido. E, nessa perspectiva, pode-se perceber como o movimento do encontro entre Deus e o ser humano fica comprometido. Isso acontece porque nosso desejo de Deus ficou perdido no engano das realizações imediatas, das soluções mágicas, da fugacidade da espera, da falsa pressa pela realização dos encontros. Por sua parte, não há uma negativa de Deus em vir ao nosso encontro. Por isso, pode-se falar na perspectiva de um Deus advento, cuja presença expõe-se como convite e não como uma imposição, tal com ele se revelou e se revela ao longo do tempo e a todas as pessoas que o procuram e o invocam.
Nesse sentido, as disposições interiores para a vivência desse tempo devem ser repensadas. Porque não se trata da vivência de um formalismo de uma sociedade ou de uma religiosidade do poder do dinheiro, do status e do sucesso. O tempo do advento é uma oportunidade para rever a relação com Deus, relação de despojamentos. Por isso, a oração é um elemento fundamental. É preciso querer conversar com Deus, ouvi-lo e desejar a companhia dele em nossas vidas, apresentar a ele nossas pelejas cotidianas e caminhar na história confirmando nosso desejo de fazer da existência uma conversão contínua à proximidade de Deus que não se cansa de nos buscar, mesmo quando nossos passos não caminham em direção ao amor que ele gratuitamente nos oferece.
Nessa esteira, vale ressaltar que o advento não se configura apenas na verticalidade da relação com Deus. Ele se manifesta pela via da solidariedade que nos coloca na busca da relação da justiça em nossas relações sociais. Nesse tempo de pandemia, a solidariedade pode se realizar de diferentes maneiras, uma vez percebida a existência de muitas problemáticas entre nós. Mas a mais urgente expressão de solidariedade é a postura que preza pela vida dos irmãos e irmãs, sobretudo daqueles e daquelas que se encontram nas fileiras da vulnerabilidade social e sanitária, porque mais expostos à contaminação e à fome, que sabemos que podem levar à morte.
O tempo do advento é momento oportuno para ir ao encontro de Deus que vem, e é também tempo urgente de ir ao encontro do outro, ser presença mobilizadora de uma vida com qualidade, pois a glória de Deus resplandece quando o ser humano tem sua vida garantida e potencializada. Por isso mesmo, os cristãos e as cristãs são chamados a viver esse tempo com qualidade e profundidade, à revelia da pressa que o mundo ostenta fugindo de Deus e das pessoas, marca da indiferença de quem não se dispõe ao deslocamento necessário para que se realize um encontro com Deus ou com as pessoas.
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