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70. Santos do pau oco

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09.10.2020 | 3 minutos de leitura
Tânia da Silva Mayer
Diversos
70. Santos do pau oco

\"Santo do pau oco\", essa expressão é conhecida e utilizada por nós \r\ndesde tempos longínquos. Utilizada, habitualmente, para designar pessoas\r\n dissimuladas ou fingidas, ela quer indicar um descompasso existente \r\nentre o que é aparente numa pessoas e o que ela realmente é em seu \r\ninterior, em suas intenções. Conforme retoma a canção brasileira, \"as \r\naparências enganam\".

No auge do ciclo do ouro, no Brasil do século\r\n 18, para fugir da taxação do ouro e de outras pedras preciosas, o que \r\nas pesquisas históricas indicam, parece ter havido a prática de \r\ncontrabando desses artigos entre os senhores e até mesmo entre as \r\npessoas escravizadas. E para que o ouro extraído não fosse taxado e \r\nsobre ele não fosse paga a quantia de um quinto, ele era colocado, ainda\r\n em pó, no interior de imagens dos santos de devoção católica, religião \r\npredominante na época.

Com relação a essa prática, faltam \r\nregistros históricos que confirmem sua veracidade. No entanto, ainda se \r\npode apreciar em alguns museus do país as imagens dos santos ocos, que \r\ndevem ter sido esculpidos para a devoção de quem, desde a colonização, \r\nvem dando um jeitinho (luso) brasileiro para praticar a corrupção. É \r\nimportante ressaltar que antes do transporte do ouro no interior dos \r\nsantos, as imagens devem ter sido utilizadas para transporte de dinheiro\r\n falso de Lisboa para o Brasil.

Mas em Portugal é conhecida outra \r\nexpressão que pode conferir significado semelhante a essa que nós \r\nutilizamos hoje e que pode sugerir que houve apenas uma adaptação \r\nlinguística na colônia. \"Santo de pau carunchoso\" ou \"santo carcomido \r\npor caruncho\" são expressões que indicam justamente um aspecto de \r\ncorrupção, de podridão. A princípio, a podridão de uma imagem de \r\nmadeira, mas logo a de alguém que é em si mesmo uma degradação, embora \r\npossa não parecer.

No Brasil do século 21 nós ficamos estarrecidos\r\n com a quantidade de \"santos do pau oco\", que se utilizam da religião \r\ncomo uma nuvem para encobrirem crimes horrendos. Fora ou dentro do \r\ncristianismo, essas pessoas se apresentam detentoras de uma moral \r\nilibada, mas que esconde desde abusos sexuais, passando por desvios de \r\ndinheiro da fé, chegando até a assassinatos. Essas pessoas podem figurar\r\n desde os altos escalões das igrejas, por ocuparem posto como os de \r\nbispos, padres, pastores e pastoras, até as camadas mais básicas nas \r\nquais estão os fiéis mais piedosos e bem intencionados, de modo que não é\r\n preciso citar nomes porque, uma vez descobertos, viralizam como notícia\r\n que desabona a fé cristã, tornando-a não digna de credibilidade.

Por\r\n isso, é preciso retomar sempre e uma vez mais, de maneira incansável, \r\nos ensinamentos de Jesus. E conforme ele nos ensina, é preciso deixar \r\njoio e trigo crescerem, para então arrancar o primeiro e jogá-lo ao \r\nfogo. O tempo dirá se uma árvore é boa ou má, à medida que formos \r\nconhecendo seus frutos. E para não cairmos na corrupção moral, é preciso\r\n abraçar a radicalidade evangélica que apresenta o amor e a renúncia a \r\nqualquer status como a possibilidade única da nossa conformação a Jesus e\r\n ao Reino de Deus, maneira humanizadora do ser santo ou santa nas \r\nigrejas, na sociedade e no mundo.

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