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260. Manhã de setembro (Lc 5,1ss)

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13.09.2022 | 1 minutos de leitura
Frei João F. Júnior - OFMCap
Poesia
260. Manhã de setembro (Lc 5,1ss)
Chegaste, setembro,
com tuas flores cadentes
e tuas vigílias de finitude
- ambas velhas conhecidas. 
Chegaste, sol de setembro,
e iluminaste radioso minhas redes
- terrivelmente vazias, de novo.
E deste forma visível ao cansaço das mãos:
ele, infrutífero e inútil;
elas, feridas e vazias.
Alcançaste-me, setembro,
novamente à margem 
do lago das frustrações,
das impotências e das vigílias
- precocemente amanhecidas. 
E, cabisbaixo,
lavando as redes do fracasso
- talvez, com lágrimas -,
escutei-te chegar. 
Fala-me, Setembro.
E convence-me,
doce e terrivelmente,
a lançar a rede ainda mais uma vez. 
Não para que ela volte cheia
- isso pouco importa -,
mas para que o cansaço da beira
e da noite longa demais
e do dia já amanhecido 
não me tenha roubado 
a chance de recomeçar. 
E, quando tua voz se fizer ouvir,
e as redes ficarem para trás,
ensina-me, Setembro,
que o vazio consentido da busca 
vale mais do que mil noites 
de incerta travessia.

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