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124. Indagações

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14.02.2017 | 3 minutos de leitura
Yuri Lamounier Mombrini Lira
Crônicas
124. Indagações

“Para onde ir, longe do teu Espírito?

Para onde fugir, longe da tua presença?” (Salmo 138,7)



“Preciso acabar logo com isso, 

Preciso lembrar que eu existo,


que eu existo,

que eu existo” 

(Roberto e Erasmo)



Não sou mais criança, mas, como a pequena Alice, ainda estou à procura de mim. Descubro-me a cada dia e, em cada momento, encontro surpreso pedaços do que sou. Para mim, porém, o processo é mais doloroso do que foi para Alice, pois não tenho líquido mágico que me faça diminuir, tampouco bolinhos que me façam crescer e, muito menos, conheço algum cogumelo encantado que possa fazer com que eu cresça e diminua de tamanho quantas vezes quiser.


Não conheço lagarta que fale, mas a vida me pergunta: “Quem é você?”. Eu fico sem saber o que responder, pois essa é uma questão que, por enquanto, não possui solução. Sou, como cantou Raul Seixas, uma “metamorfose ambulante”.


Não só a vida me interroga. Eu também me pergunto: “Quem sou?”. “Não Sei!” Respondo veementemente: “Estou em processo, sou um vir-a-ser, um ser em construção. A cada momento de minha existência construo e reconstruo algo em mim”.


E assim vou vivendo... Metamorfoseando sempre, mas em constante desejo de ser alguém e de poder acabar logo com essa angústia que me oprime, não posso ser mais um sentado à beira da estrada... Posso até não saber quem sou (ainda!), mas não desisto de me perguntar. Persigo sempre perscrutado pelo amor misterioso de Deus que me ajuda a ser quem sou.


A poetisa Maria Magdalena Robben também verbalizou esse dilema numa de suas poesias:



Quem sou eu? 

Continuo indagando, 

Continuo perguntando,


Até que a pergunta 

Chegue às margens do silêncio

E eu sinta em minha alma o toque do mistério.



Um dos mistérios mais profundos que nos envolve diz respeito à busca de sentido para nossa vida. Vida com sentido não é uma divagação filosófica ou literária. Quem crê no amor de Deus entende que não está neste mundo por acaso; confia que a vida é dom e plena de significado apesar de suas dores. Confiar em Deus e na sua companhia torna nossa vida mais leve e dá força para viver. Nele encontramos um norte; não ficamos mais desbussolados, à deriva, se ele é nosso companheiro de viagem.


Como Alice, sigamos perguntando sempre e escutando a voz de Deus que vem do coração a indicar os caminhos do amor.





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