115. Renascer das cinzas
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02.03.2022 | 2 minutos de leitura

Diversos

A pandemia murchou a alegria do carnaval. Sempre um tempo de festa, de alegria, de música, de dança, de descanso, de folia. Este ano não tivemos a graça dessa grande festa popular. Mas, com carnaval ou não, agora somos convidados a fazer a experiência da Quaresma.
É muito simbólico que o divisor de águas dessa mudança seja a quarta-feira de cinzas. Alguns dizem que, antes de entrar no período da Quaresma, quarenta dias de jejum, de penitência, de mortificação (morte de algumas coisas que fazem mal), o povo fazia uma grande festa. Na Quaresma se evitava a carne (abstinência), a dança, a festa. Por isso, o carnaval passou a ser a despedida de tudo isso. Em latim, ‘vale’ significa ‘adeus’. Carnaval seria uma festa para dar ‘adeus à carne’. E, pra que todos ficassem bem à vontade, muitos preferiam usar máscaras ou fantasias.
Assim, a quarta-feira depois do carnaval era o dia de rasgar as fantasias, queimar as máscaras. Ficavam as cinzas. Cinzas que, para a liturgia da Igreja, são sinais da nossa fragilidade. Somos feitos do pó, viemos da terra e a ela retornamos. Ou somos reduzidos a um punhado de cinzas, quando cremados.
Porém, o sentido de tudo isso não é parar na morte. É o recomeçar, o renascer. O profeta Joel, lido na missa de Quarta-feira de cinzas, nos diz que, mais importante que rasgar as vestes é rasgar o coração. Não no sentido de dilacerar, de machucar, mas de abrir para acolher a graça, a Palavra; para acolher o Outro.
Flávio Venturini e Jorge Vercillo, em sua bela música Fênix, falam da capacidade de renascer, numa alusão à ave mitológica que, ao morrer, se consumia em chamas para “renascer das cinzas. “Quando a noite faz nascer a luz da escuridão...” Há sempre uma “centelha divina” que nos faz “renascer das cinzas”.
Para nós, essa centelha pode ser o amor traduzido em fraternidade, a fé que ilumina os nossos passos, a esperança que nos convida a caminhar. Luz que nos conduz ao deserto da quaresma. Deserto da provação e do amadurecimento. Das tentações e da vitória sobre elas. Do jejum e da oração que nos amadurecem. Deserto que é lugar e tempo de gestação do novo.
Na liturgia do primeiro domingo da Quaresma, Jesus vai ao deserto, para nos ensinar como superar as tentações do ter além do necessário, do mau uso do poder, do uso indevido do nome de Deus. Esse caminho passa pela oração, pela Palavra de Deus, pelo jejum; requer penitência, silêncio, amor verdadeiro, perdão, acolhimento, partilha e fraternidade. Tudo isso se chama conversão, voltar-se para o bem, para Deus, ir na direção certa, renascer.
Voltando ao carnaval e à Fênix, temos agora uma ótima oportunidade para o silêncio, para retirar o que está sobrando, o que não faz sentido, queimar algumas máscaras, buscar o caminho proposto por Jorge Vercillo: descobrir no breu uma constelação; transformar cinzas em arco-íris; onde foi ruína, ver o paraíso, e cantar: “tudo o que eu queria: renascer das cinzas...”.
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