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55. Pastoral na cidade

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20.06.2015 | 4 minutos de leitura
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55. Pastoral na cidade

Desde que entendo por gente, nossas paróquias fazem novenas, com rezas, quermesses, bingos, leilões, barraquinhas, foguetórios e procissões. Quando criança, eram comuns na minha terra natal aquelas procissões compridas da Igrejinha do Bom Jesus até a Matriz; ou o trajeto inverso: uma festa. Na frente, o padre com sua corte e o santo num andor. Atrás, as piedosas senhoras cantando e rezando; alguns senhores conversando e rezando também. E a criançada correndo com velas nas mãos, fazendo travessuras. Em algumas ocasiões, a banda de música da cidade não podia faltar. Todo mundo nas ruas, fechando o trânsito da cidade, manifestando publicamente sua fé. As donas de casa enfeitavam as janelas, com toalhas e flores. Todo mundo vestia roupa de festa e levava um dinheirinho no bolso para gastar nas barracas do santo. As festas religiosas eram ocasião de convivência de todo o povo da cidade, quase cem por cento católico.


Naquele tempo, parar o trânsito da cidade com uma procissão era coisa comum e sem maiores consequências. Todo mundo estava mesmo na reza e quase não havia carros na cidade. O povo vinha da roça em seus cavalos e charretes, ou de bicicleta, e os veículos estavam estacionados no terreno ao lado da Igreja. O povo, o santo e a banda ocupavam as ruas e ninguém reclamava. O mesmo seja dito das barracas da quermesse. Todo mundo aproveitava a festa religiosa para se divertir, até porque não havia muita diversão por ali. Todo mundo se conhecia, as famílias tinham laços de amizade e parentesco entre si etc.


Hoje tudo é tão diferente. Nossas paróquias perderam seu traço rural, apesar de conservarem os costumes da roça. Quem participa não vai mais a cavalo ou de charrete. Quase sempre se desloca na cidade e vai de carro ou de transporte público. Algumas pessoas atravessam a cidade para rezar em outra paróquia. A cidade tem seu movimento independente do acontecimento religioso e nada para mais porque é dia do santo. Os carros continuam se locomovendo, as sirenes das ambulâncias apitando, o povo se deslocando para shoppings, áreas de lazer, cinemas, teatros ou para o trabalho. A vida da cidade flui sem pedir licença para o santo protetor.


Parece estranho que a gente não perceba essas mudanças e continue fazendo a mesma festa do padroeiro em plena cidade grande, com outro ritmo que não o ritmo de interior. Fazemos uma novena ainda à moda antiga; barracas como de antigamente, bingos e leilões. E a procissão, que agora interrompe o ritmo da cidade grande, irrita os não-crentes, serve de empecilho para passar as ambulâncias e outros serviços urgentes, mobiliza o corpo de bombeiro para levar o santo no caminhão etc.


Não há nada de errado com esses costumes, certamente. Mas será que são os ritos e as práticas mais apropriados para a cidade, para um mundo secular que não respira mais o ar sagrado de antes? Alguns dirão que o mundo e a sociedade é que estão errados, pois perderam os costumes e a fé cristã. Mas o mundo não é bom nem mau; nem vai mudar só porque nós achamos que assim não está legal. O mundo está aí e é campo para semear a semente da fé; lugar propício para fazer a experiência cristã de Deus, tempo tão digno do evangelho quanto qualquer outro! Seria o mundo que deveria mudar e retomar o ritmo de antes ou os cristãos que deveriam repensar sua pastoral de forma que ela seja mais ajustada ao mundo urbano? A fé cristã não é exclusividade de aldeias e vilarejos. Também na cidade o evangelho pode encontrar espaço para fecundar muitos corações. É preciso descobrir o jeito! Fica aí a dica!







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