107. O caos pastoral
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15.10.2020 | 4 minutos de leitura

Dicas diversas

Desde muito, venho insistindo na necessária organização das paróquias para melhor servir ao povo de Deus. Tanto as pastorais de anúncio e formação cristã, que cuidam mais do âmbito interno das Igrejas, quanto as pastorais sociais e de fronteira, que possibilitam a presença transformadora da Igreja no meio do mundo, não gozam de organização suficiente para sobreviver à crise sanitária que nos foi imposta.
As paróquias – organização medieval que tem como seu responsável primeiro o presbítero – mal tem um calendário de missas, de atividades pastorais que falam para grupos de dentro (os chamados igrejeiros) e algumas poucas atividades no âmbito de assistência social. Pouca ou nenhuma organização sustentam essas iniciativas. Sem isso, só podemos claudicar. Como um coxo, nos arrastamos pelos espaços do mundo e, fadigados, nos refugiamos no conforto dos muros eclesiais.
A pandemia trouxe essa fragilidade à tona. Pouquíssimas paróquias têm um cadastro de seus participantes. A catequese não tem um registro bem feito de seus catequizandos; na maioria essa iniciativa fica por conta do catequista. Muitas não têm sequer uma lista com nome, endereço, telefone etc. dos próprios catequistas. As pastorais sacramentais, que visam a recepção e um sacramento, como a pastoral dos noivos e do batismo, dependem exclusivamente da procura no escritório paroquial ou, no máximo, de uma inscrição no site da paróquia. Os movimentos não têm um banco de dados dos participantes de suas reuniões. O que dizer dos que não frequentam os cultos e as reuniões que acontecem nas paróquias? Desconheço uma pastoral missionária que tenha realizado visitas em todas as casas da circunscrição geográfica da paróquia, catalogando todas as famílias, independentemente de sua formatação e de sua profissão de fé. Fica claro no nosso modo de fazer pastoral que esta funciona a partir do centro e do convite. Quem está no centro, a paróquia, convida; quem quiser que venha. A famosa igreja em saída, de Francisco, é uma utopia muito distante.
Um banco de dados permanente e atualizado dos paroquianos não faz a pastoral acontecer, mas possibilita um trabalho orgânico, concatenado, continuado, permanente. Nesses tempos de pandemia, por exemplo, não seria difícil acompanhar as famílias, os idosos, os doentes, os desempregados etc., se tivéssemos tudo isso organizado. Através de um e-mail, poderíamos nos informar sobre as famílias em situação financeira difícil e ampará-las com gestos de solidariedade. Por meio de telefonemas, poderíamos saber se os idosos estão se sentindo isolados e se precisam de uma visita cuidadosa de um jovem, ou de um telefonema duas ou três vezes por semana, para bater papo e socializar. E o que dizer dos doentes? Não seria o caso de uma assistência personalizada? Poderíamos criar grupos de voluntários saudáveis, cada um responsável por apoiar três ou quatro deles. Esses iriam às compras, especialmente às farmácias e supermercados; veriam se eles estão precisando de apoio psicológico pois a solidão adoece. Psicólogos e terapeutas poderiam se oferecer para esse trabalho de escuta; poderiam fazer salas de bate-papo etc. para que os idosos e doentes não fossem consumidos pelo abandono. As famílias de baixa renda, se estivessem inscritas nos registros paroquiais, poderiam ser acompanhadas e receber cestas básicas, até a calamidade passar. Faríamos uma lista de possíveis doadores, aqueles que não foram afetados pela crise ou até tiveram seus negócios com crescimento, para contribuir com os menos favorecidos. A lista de possibilidades é interminável. Mas uma que não pode ser esquecida é a obrigação paroquial de manter o povo bem informado, evitando as fakenews, e isso poderia ser feito por meio de grupos de WhatsApp. A falta de organização compromete toda a pastoral. Fica aí a dica!
As paróquias – organização medieval que tem como seu responsável primeiro o presbítero – mal tem um calendário de missas, de atividades pastorais que falam para grupos de dentro (os chamados igrejeiros) e algumas poucas atividades no âmbito de assistência social. Pouca ou nenhuma organização sustentam essas iniciativas. Sem isso, só podemos claudicar. Como um coxo, nos arrastamos pelos espaços do mundo e, fadigados, nos refugiamos no conforto dos muros eclesiais.
A pandemia trouxe essa fragilidade à tona. Pouquíssimas paróquias têm um cadastro de seus participantes. A catequese não tem um registro bem feito de seus catequizandos; na maioria essa iniciativa fica por conta do catequista. Muitas não têm sequer uma lista com nome, endereço, telefone etc. dos próprios catequistas. As pastorais sacramentais, que visam a recepção e um sacramento, como a pastoral dos noivos e do batismo, dependem exclusivamente da procura no escritório paroquial ou, no máximo, de uma inscrição no site da paróquia. Os movimentos não têm um banco de dados dos participantes de suas reuniões. O que dizer dos que não frequentam os cultos e as reuniões que acontecem nas paróquias? Desconheço uma pastoral missionária que tenha realizado visitas em todas as casas da circunscrição geográfica da paróquia, catalogando todas as famílias, independentemente de sua formatação e de sua profissão de fé. Fica claro no nosso modo de fazer pastoral que esta funciona a partir do centro e do convite. Quem está no centro, a paróquia, convida; quem quiser que venha. A famosa igreja em saída, de Francisco, é uma utopia muito distante.
Um banco de dados permanente e atualizado dos paroquianos não faz a pastoral acontecer, mas possibilita um trabalho orgânico, concatenado, continuado, permanente. Nesses tempos de pandemia, por exemplo, não seria difícil acompanhar as famílias, os idosos, os doentes, os desempregados etc., se tivéssemos tudo isso organizado. Através de um e-mail, poderíamos nos informar sobre as famílias em situação financeira difícil e ampará-las com gestos de solidariedade. Por meio de telefonemas, poderíamos saber se os idosos estão se sentindo isolados e se precisam de uma visita cuidadosa de um jovem, ou de um telefonema duas ou três vezes por semana, para bater papo e socializar. E o que dizer dos doentes? Não seria o caso de uma assistência personalizada? Poderíamos criar grupos de voluntários saudáveis, cada um responsável por apoiar três ou quatro deles. Esses iriam às compras, especialmente às farmácias e supermercados; veriam se eles estão precisando de apoio psicológico pois a solidão adoece. Psicólogos e terapeutas poderiam se oferecer para esse trabalho de escuta; poderiam fazer salas de bate-papo etc. para que os idosos e doentes não fossem consumidos pelo abandono. As famílias de baixa renda, se estivessem inscritas nos registros paroquiais, poderiam ser acompanhadas e receber cestas básicas, até a calamidade passar. Faríamos uma lista de possíveis doadores, aqueles que não foram afetados pela crise ou até tiveram seus negócios com crescimento, para contribuir com os menos favorecidos. A lista de possibilidades é interminável. Mas uma que não pode ser esquecida é a obrigação paroquial de manter o povo bem informado, evitando as fakenews, e isso poderia ser feito por meio de grupos de WhatsApp. A falta de organização compromete toda a pastoral. Fica aí a dica!
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