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23.12.2021 | 1 minutos de leitura

Poesia

a poesia comia-me
as carnes
como um abutre.
despicando-me aos
poucos,
sangue vertido
entre sonhos de
asas,
o abutre voou.
deixou-me
aos pedaços,
o cadáver.
sem a alquimia
dos versos,
para transformar
nossa morte adiantada,
ferida aberta
ao sol do meio dia,
resta apodrecer.
ir implodindo, não às vistas
de todos. de dentro.
deixando a estrutura de fora,
como espantalho sem alma.
até que o abutre,
sem medo de espantalhos,
volte
e dê fim a sua fome.
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