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384. Páscoa

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31.03.2024 | 1 minutos de leitura
Pe. Eduardo César Rodrigues Calil
Poesia
384. Páscoa
venham as madalenas de todos os cantos do mundo,
venham chorar meu cadáver, 
prantear a morte de meu texto-corpo,
porque quero dar-lhes a surpresa,
a surpresa de um texto, faz o buraco 
na rocha,
o texto que destampa, 
e faz rolar a pedra. 

a palavra tem mais força que uma rocha-tampa.
fura a pedra e sai a vida. 
a vida é insepulta, como o amor. 

os raios de sol encontram esse corpo-texto 
num banho de luz: é de manhãzinha, 
quando dá tempo de brincar um dia todo. 

é o primeiro dos dias, sem o cansaço dos recomeços, 
porque há o novo. 

o roxo dos hematomas que flori, qual quaresmeira, passaram. 
as saias, eu as tiro para ficar nu,
a nudez que não envergonha,
nudez da carne ressuscitada, 
o texto-carne que sou. 

venham madalenas, pedros, e todos os amados.
podem me tocar. toquem-me porque sou filho do Amor. 

Por falta de amor, eu morri
Pela falta, a pedra rolada, buraco-texto,
ressuscitei.

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