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379. senhora das dores

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21.03.2024 | 1 minutos de leitura
Pe. Eduardo César Rodrigues Calil
Poesia
379. senhora das dores
quanto a mim, uma espada
me transpassaria a alma:

tua palavra adulta contra minha 
palavra pequena. 

uma espada que me cortou
o coração em pedaços:
quero outro; você não, dizia. 

foi outra palavra que me recolheu, 
uma palavra-olhar, olhar ferido, 
mas capaz de amar.

tentei arrancar todas as espadas 
cravadas em ti, que me recolhias,
enquanto tu me tomavas em teu colo, 
pietá, cravada no mármore, em mim. 

a palavra que me fatiava em pedaços, 
não servia, mesmo quando ela 
quis ajuntar o que fatiou.
até que vi em seu peito também perfurado, 
o sangue que buscava conter, 
estancar com sua prece. 

uma palavra tão dura, tão adulta, 
era uma criança ferida. 

há o buraco
e o vazio que comungamos.

e eu me concentrei em meu coração dilacerado.
é que eu já tinha apreendido o abandono,
e o produzi reiteradamente, em memória de mim.

desde então, ele era uma prática. 
minha religião. 

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