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378. senhor dos passos

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20.03.2024 | 1 minutos de leitura
Pe. Eduardo César Rodrigues Calil
Poesia
378. senhor dos passos
aguardei-te. espremido de receios, 
minúsculo, uma criança querendo 
ver-te a face: tua face de abandono.

ela me impôs a cruz que carreguei trinta 
estações. via-sacra aplaudida 
com pedradas, quedas, sem ajuda. 

verônica enxugou meu rosto e se foi. 
cirineu veio ao meu lado, e se foi.
e abracei esta cruz com um amor doentio,
o amor por um buraco enorme, que exigi 
que tampassem.

que não deixei que tampassem. 

a cruz o mantinha, o retinha, ó feições jamais 
vistas. 
minha vida foi ao redor desse gólgota, 
que quer dizer buraco. 

desci-o como quem 
trilha um círculo acima, até o alto de 
uma colina;

alto e baixo são o mesmo. 

o mesmo abandono. 

tu não vieste e bastou uma pequena palavra 
para largar tua cruz imposta. tua cruz-canga.
pus-te, então, no túmulo. 

enterrei-te como cabe a um filho dedicado,
um filho que te deu a honraria não merecida,
fechando para trás uma pedra imensa.

já faz quatro dias.
agora, seis anos.

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