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36. Milagres

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19.09.2014 | 4 minutos de leitura
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36. Milagres

Uma onda de canções e pregações com a temática dos milagres povoa a mídia. Por toda parte, ouvimos insistentemente os cantores de música gospel suplicarem: “Faz um milagre em mim...” ou “Eu preciso tanto de um milagre!”. E não são apenas as canções de origem protestante. Não faltam na Igreja Católica canções com o mesmo teor e ainda pregadores na mesma linha teológica. Evangelizadores leigos e ministros ordenados, padres cantores e pregadores desconhecidos que anunciam o evangelho lá nas bibocas do interior; há sempre ministros que se dedicam à teologia dos milagres, da intervenção de Deus, do Deus do impossível, ou que se esmeram em anunciar as mediações de anjos e santos que trazem as bênçãos do céu. Uma espécie de corrente teológica intervencionista tem se propagado e encontrado resposta no meio do povo. É só abrir o Facebook e logo veremos as correntes milagreiras de oração, as superpreces às quais devemos dizer amém se curtimos; as palavras de ordem que decretam o bem-estar em nome de Jesus e o cumprimento de suas promessas em nossas vidas.


Essa onda faz pensar. Muitos explicam-na como fenômeno social, decorrente do desespero do povo frente ao descaso da saúde pública, mas este não parece ser o cerne da questão, pois também pessoas de melhores condições sociais – com bons planos de saúde – estão engrossando as fileiras desses crentes. Outros acham que é resultado da onda pentecostal que solapa as Igrejas Cristãs, culpando especialmente a RCC e as redes católicas de comunicação pela propagação dessa teologia. E não deixam ambos de ter razão. Mas o fenômeno parece ter raízes mais profundas. O certo é que o fenômeno se impôs e nossas paróquias estão mergulhadas nessas águas perigosas dos milagres, que trazem a uns a solução de seus problemas e geram problemas ainda maiores para outros.


Como lidar com isso? Certamente, xingar e gritar ou espernear e correr com os pregadores não trará a resposta desejada. Fazer de conta que não vemos e ignorar o fenômeno ou apoiar e entrar na onda também não parece razoável, apesar de ser uma solução fácil e até conveniente. Nossa gente merece respeito e, por isso, tem direito a bem mais que essas respostas infantis a problemas pastorais tão graves. O que fazer então?


A primeira coisa importante é começar a ler com seriedade as Escrituras Sagradas. Os Evangelhos não podem servir de suporte para tal teologia milagreira. Basta um mínimo de capacidade hermenêutica para saber que os Evangelhos não estão fazendo uma biografia de Jesus, um milagreiro extraordinário, mas sim relatando a experiência do Ressuscitado no meio da comunidade eclesial. Já cansou essa leitura fundamentalista e cansa mais ainda ouvir os desavisados chamarem os exegetas, biblistas e teólogos em geral de pessoas sem fé ou de hereges. Já passou da hora de as paróquias levarem a sério a formação bíblica de nossa gente. Tarefa nada fácil, é claro, mas único caminho possível para combater as atrocidades que têm sido ditas em nome dos Evangelhos.


A segunda atitude pastoral importante é ajudar o povo a cultivar uma espiritualidade fundamentada, sem práticas piedosas exageradas. A piedade popular ocupou o lugar da espiritualidade e da mística, e nossa gente não sabe mais orar; só sabe fazer novenas, rezas, correntes de oração... Nosso povo não vai abrir mão de suas práticas em busca de curas e milagres, se não tiver outra espiritualidade que o sustente. E antes de detonarmos com a espiritualidade estranha que dele se apossou, não seria o caso de oferecer algo melhor para a caminhada da vida? Um dos problemas que temos encontrado nos que combatem esse tipo de fé milagreira é que destroem o que o povo tem, mas não oferecem coisa melhor. Ora, nossa gente não vai querer abrir mão do que possui se não encontrar melhor oferta, algo que os ajude a viver nas tribulações da vida, a superar as crises e os revezes. Não basta combater essa teologia equivocada que está por aí. É preciso muito mais: oferecer ao povo ocasião de fazer seu encontro com o Deus da vida; oferecer à nossa gente sofrida a palavra de Deus que faz viver.  Fica aí a dica!







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