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34. Oração como castigo

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22.08.2014 | 4 minutos de leitura
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34. Oração como castigo

Vai e volta, a gente ouve contar por aí que um catequista lá dos Cafundós do Judas colocou seus catequizandos de castigo, devido às travessuras aprontadas na catequese. Quase sempre, esse castigo está vinculado à prática de rezar o terço ou de adorar ao Santíssimo Sacramento, uma forma de correção ou reparação pelo dano causado. A notícia preocupa duplamente. Primeiro, porque a compreensão de catequese que subjaz tal prática está vinculada à antiga pedagogia escolar, às salas de aula, onde o catequizando era apenas tábula rasa que devia acolher o que o mestre–catequista ensinava e o catequista era senhor absoluto daquele espaço, podendo inclusive punir seus catequizandos, caso eles não se comportassem bem. Segundo, não por causa da prática punitiva somente, o que já seria suficiente para nos fazer detestar tal ideia, mas porque a oração é envolvida no processo punitivo.


Primeiro sobre a punição na catequese. Já foi o tempo em que o catequista, o padre, o professor ou qualquer outra autoridade podia punir uma criança como bem quisesse. Graças a Deus, as leis protegem a criança e o adolescente,e ensinando-nos a respeitá-los, a reconhecer seus desejos e seus direitos. Ora, se a prática punitiva está questionada em todo âmbito da sociedade (não a prática corretiva, é claro!), muito mais na catequese, lugar do encontro com Deus e com os irmãos. O ato catequético não admite tal prática. Há certamente muitas outras alternativas catequéticas, caso a criança ou adolescente manifeste desinteresse pelos encontros e resolva avacalhar o trabalho do catequista. Para isso, há o diálogo com a criança, a empatia com a turma, a presença enérgica e forte do catequista como condutor do encontro, as atividades pedagógicas, etc. É simplesmente inadmissível pensar que ainda há catequistas “castigando” crianças por algum deslize nos encontros catequéticos. E não importa qual seja a falta da criança! Para toda falta há um caminho mais didático, mais caridoso e mais evangélico que o castigo, seja ele qual for. Cuide o catequista de encontrar esses caminhos. Para isso, procure a coordenação da catequese de sua paróquia ou o pároco e peça ajuda, mas não imponha nenhum castigo às crianças de sua turma.


Em segundo lugar, vale refletir sobre a oração. A oração é, para nós cristãos, um momento único, uma oportunidade maravilhosa de encontro com Deus. Por meio dela, a gente realimenta o ânimo do coração, reabastece nosso interior de energias para que não nos falte combustível na peleja da vida. Ora, se é assim, rezar não é castigo, mas prazer e prêmio. Quem nos dera a vida não fosse tão corrida e tivéssemos mais tempo para nos dedicar a esse diálogo fecundo e amoroso com Deus! Colocar as crianças para rezar o terço ou adorar o Santíssimo, punindo-as por alguma falta, é, pois, um equívoco gigante. O que esta criança vai registrar em seu inconsciente sobre a oração? Que a oração é algo chato, enfadonho, que a prática da oração está ligada à dor e ao castigo e não ao prazer de encontrar Alguém bom e companheiro. Ora, será que é essa a imagem de oração que queremos passar para nossos catequizandos? Será que ela corresponde à oração que Jesus fez continuamente ao Pai e também nos aconselhou a fazer? Será que temos o direito de deformar a prática cristã da oração, transformando-a em objeto de punição? Oração não é castigo, nem mesmo obrigação, nem preceito imposto. Oração é diálogo amoroso e prazeroso com Deus, travado em qualquer circunstância da vida, mesmo que seja na noite escura. É ato que deve ser praticado na mais pura liberdade e gratuidade. Pensemos nisso. Fica a dica!







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