277. Epifania
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07.01.2023 | 1 minutos de leitura

Poesia

Eu não tenho ouro, incenso
nem mirra.
Tenho sete medos, sete descalabros
E uma birra.
Uma canastrinha com um punhado
De desatinos.
Um baú de onde tiro coisas velhas
E antigas;
Neuroses que alumiam como
Estrela guia.
Sigo da dúvida a via,
Da descrença,
Da mordência,
da invenção.
Vou de camelo
Que é bicho que rumina,
Que nem eu.
Vou atrás do menino
Que anjo algum me anunciou,
Que sonho algum atestou,
Mas que creio ser
Carne da minha carne,
Osso dos meus ossos.
Levo-me a ele, eu todo bicho,
Pois sei que ele é gente
E há de me amar.
Talvez isso se dê em mim,
Esse amor, qual epifania,
Finalmente,
Algum dia,
E eu me torne menino.
Menino de novo a sonhar.