190. Reflexão para o 3º Domingo do Advento – Jo 1,6-8.19-28 (Ano B)
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12.12.2020 | 10 minutos de leitura

Evangelho Dominical

A liturgia do terceiro domingo do advento continua apresentando a figura de João, como testemunha imprescindível neste itinerário catequético-espiritual de preparação ao natal do senhor. O texto evangélico proposto para hoje é Jo 1,6-8.19-28. Como o Evangelho de Marcos apresenta a missão de João de maneira bastante resumida, como vimos no domingo passado, a liturgia de hoje recorre ao Quarto Evangelho para continuar a sua apresentação, como preparação e antecipação da missão de Jesus. É importante a utilização do texto do Quarto Evangelho porque, mais do que qualquer outro, ele apresenta João como aquele que ajuda a reconhecer a presença de Jesus que já está no mundo, no meio da humanidade; por isso, neste Evangelho, João é apresentado como testemunha daquele que já veio, e não como precursor daquele que virá, como nos Sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas).
O texto lido hoje é composto de duas partes, facilmente identificáveis: a primeira (vv. 6-8) funciona como introdução, e faz parte do rico prólogo poético-teológico (Jo 1,1-18); a segunda (vv. 19-28), que é o desenvolvimento da introdução, corresponde ao início da primeira seção narrativa do Evangelho (Jo 1,19-34), que trata exatamente do testemunho de João. O Evangelho segundo João começa com um prólogo (Jo 1,1-18), no qual Jesus é apresentando como a Palavra/Verbo (em grego: λόγος – logos), preexistente no tempo e no espaço, princípio originário de todas as coisas que, num certo momento da história, fez-se carne e veio habitar entre nós (Jo 1,14); veio como luz, para iluminar um mundo marcado por trevas.
O prólogo do Quarto Evangelho é um hino altamente cristológico: é todo voltado para o Cristo. Mesmo assim, o autor abre espaço para, nesse hino, falar da existência de um homem: “Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João” (v. 6). Ao falar de Jesus e de sua vinda ao mundo, a figura de João não pode ser ignorada. Aqui, o evangelista está abrindo uma exceção muito significativa, pois ser enviado por Deus, no Quarto Evangelho, é um atributo reservado ao Filho e ao Espírito Santo.
A missão de João é definida logo a seguir: “Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele” (v. 7). Obviamente, a luz da qual João veio dar testemunho é Jesus, a Palavra (logos), já presente no mundo, mas ainda não reconhecida; daí, a necessidade do testemunho de João para o despertar das consciências, quer dizer, para que todos cheguem à fé e acolham a luz. No Quarto Evangelho, João nunca é chamado de Batista, como é definido nos Sinóticos; Batista é um nome puramente funcional: expressa apenas a atividade de batizar, por isso é chamado somente de João, porque neste Evangelho a sua missão é dar testemunho, o que se faz mais pelo jeito de ser do que pelo exercício de uma atividade. É claro que o evangelista também afirma que João batizava, mas não define sua identidade a partir desta atividade.
Dominada no campo político-econômico pelo império romano, e no âmbito religioso-ideológico pela elite sacerdotal de Jerusalém, a Palestina do tempo de Jesus estava totalmente envolta em trevas. No Evangelho segundo João, trevas/escuridão significa negação da vida, escravidão, ausência de amor e justiça. O povo estava ansioso por luz; por isso, o evangelista apresenta Jesus como luz. Embora tenha vindo para irradiar luz sobre o mundo inteiro, foi no contexto específico da Palestina que começou, sendo continuada em todo o mundo pela missão da Igreja. E para que João não fosse confundido com ele, o evangelista tem o cuidado de esclarecer: “Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz” (v. 8). Mesmo tendo um papel importante na construção do mundo novo, iluminado por Jesus, João não pode ser confundido com aquele que é luz e vida por excelência; na verdade, nenhum ser humano pode e nem deve.
João veio como testemunha (em grego: μαρτυρία – martyria); essa palavra foi muito importante para a comunidade joanina e para todo o cristianismo primitivo, como continua sendo ainda hoje. Dar testemunho, literalmente, significa ver e falar a favor, confessar. No contexto das perseguições, passou a ser sinônimo de sofrimento e sangue derramado; pois quem sustentava o testemunho nos julgamentos e interrogatórios, quem mesmo forçado e pressionado confessava a fé, terminava morto. Foi assim que a palavra se universalizou no cristianismo como sinônimo de sofrimento.
Após introduzir a figura e a missão de João, com suas credenciais de testemunha da luz, o evangelho passa a descrever o seu testemunho propriamente, marcado desde o começo pelo confronto com os responsáveis pelas trevas que cobriam o mundo na época: “Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: ‘Quem és tu?” (v. 19). De início, é importante esclarecer que evangelista João emprega o termo judeus para designar as classes dirigentes de Jerusalém, o sinédrio, e não o povo judeu em si. Certamente, os dirigentes judeus receberam notícias preocupantes; a pregação de João começava a surtir efeito, muita gente ia ao seu encontro. Com isso, espalhavam-se boatos a seu respeito.
Como a luz é ameaça para as trevas, os movimentos populares são ameaças para os controladores da ordem vigente, para quem controla sistemas autoritários. Assim, a pregação de João preocupava os detentores de poder na sua época. Por isso, diz o texto que as autoridades enviaram uma comitiva, composta de sacerdotes e levitas, para fiscalizar a atividade de João, perguntando pela sua identidade: “Quem és tu?”. Mais do que curiosidade, essa pergunta revela o menosprezo dos que se sentem os únicos autorizados a falar em nome de Deus. Revela também o medo da perda de privilégios. Como boa testemunha da luz, João responde, confessando quem ele não é: “João confessou e não negou. Confessou: ‘Eu não sou o Messias’” (v. 20). Quem tem consciência de sua missão, não assume o lugar e a competência do outro. Confessar é um verbo muito caro para a teologia do Quarto Evangelho; tem um sentido muito próximo ao significado de testemunha.
As lideranças de Jerusalém tinham medo de movimentos emancipatórios e de um messias que não se enquadrasse em seus esquemas doutrinais. Por isso, insistem no interrogatório: “Eles perguntaram: ‘Quem és, então? És tu Elias?’ És tu Elias?’ João respondeu: ‘Não sou’. Eles perguntaram: ‘És o profeta?’ Ele respondeu: ‘Não’” (v. 21). À medida em que perguntam, aumentando a pressão, as respostas de João vão ficando cada vez mais simples. O crescendo nas perguntas corresponde às concepções teológicas e expectativas messiânicas da época: acreditava-se que a manifestação do Messias seria precedida pelo retorno de Elias (Ml 3,21) e pela vinda de um profeta sucessor de Moisés (Dt 18,18). Como João confessou não ser o Messias, imaginavam que poderia ser um dos personagens que deveriam vir antes. Os Sinóticos relacionam João a esses personagens, ao apresentá-lo como precursor. Para o Quarto Evangelho, no entanto, João é apenas testemunha.
Os enviados do templo para inspecionar a atividade de João, assim como seus chefes, tinham toda a doutrina da religião memorizada, viviam em função dela e fechados nela, a ponto de não aceitarem que Deus agisse fora de seus esquemas tradicionais. O evangelista, de modo sutil, denuncia tendências de fechamento na sua comunidade, mostrando que a ação de Deus transcende a doutrina. É impossível submeter o agir de Deus a um esquema doutrinal. Não sendo o Messias, nem o sucessor de Moisés, nem Elias, quem mais João poderia ser? Por isso, a pergunta revela o quão pressionados eles estavam: “Quem és afinal? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo?” (v. 22). Para os judeus, o que não fosse fundamentado pela lei e os profetas, não podia vir de Deus. A lição do evangelista para sua comunidade serve para o cristianismo de todos os tempos: quando se fecha na doutrina, ignora-se a ação do Espírito. Por sinal, o Espírito é uma categoria muito importante para a comunidade joanina, porque ele ilumina e conduz à verdade, gerando amor entre todos; após a ressurreição, será o condutor da comunidade.
A resposta de João, mais uma vez, mostra a sua grandeza revelada na pequenez. Finalmente, ele diz quem é: “João declarou: ‘Eu sou uma voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’ – conforme disse o profeta Isaías” (v. 23). Aqui o seu testemunho se revela, de fato, profético. O profeta é aquele que se esconde no anúncio, porque não é o conteúdo, mas apenas instrumento; é mensageiro, e não a mensagem. Ao declarar que é apenas uma voz, João confessa que Jesus, de quem ele dá testemunho, é a Palavra. A voz é apenas um eco que se dissolve e desaparece em poucos segundos, enquanto a Palavra permanece. é eterna, a qual existe deste o princípio (Jo 1,1). Com essa simples resposta, João antecipa a missão dos seguidores de Jesus em todos os tempos: ser voz que ressoa a única Palavra que liberta e salva.
Aplainar os caminhos do Senhor significa remover os obstáculos para que a mensagem libertadora do Evangelho possa ressoar e produzir efeitos. Esses obstáculos são: a injustiça, o ódio, a indiferença, a cobiça, a violência, a corrupção, o preconceito, o proselitismo, enfim, tudo o que impede os homens e mulheres de viverem como irmãos e irmãs, em plena liberdade e com seus direitos garantidos. Infelizmente, muitos destes obstáculos tinham sido postos no caminho pela própria religião institucionalizada. Por isso, seus dirigentes estavam preocupados com a voz forte de João, o qual anunciava em consonância com os antigos profetas, os quais também foram silenciados pela instituição religiosa (Amós, Jeremias, Isaías, Miquéias...).
À medida em que os encarregados da religião oficial continuavam a interrogá-lo, João deixava cada vez mais clara a natureza da sua missão de preparar o caminho do Senhor, batizando com água aqueles que dele se aproximavam e, ao mesmo tempo, chamando a atenção para uma novidade: “no meio de vós está aquele que vós não conheceis, e que vem depois de mim” (vv. 26). Nessa expressão está a chave de leitura de todo o texto para a perspectiva do advento: conhecer e reconhecer quem já veio e já está no meio. Não buscá-lo em eventos ou intervenções extraordinárias, nem esperá-lo em longas e utópicas vigílias, mas reconhecê-lo na situação presente, na simplicidade das coisas.
Depois da voz de João gritando no deserto, e do seu testemunho da luz, devemos reconhecer a presença de Jesus em nosso meio também dando testemunho da luz, ouvindo a voz que ressoa do deserto, mas também colocando-nos como vozes da Palavra por excelência, Jesus. O reconhecimento passa pela abertura de mentalidade, a conversão, desarmando-nos do fechamento e rigidez das doutrinas, e aprendendo a reconhecer a ação de Deus nos acontecimentos do dia a dia. A certeza de que Ele está presente torna nosso caminho para acolhê-lo mais realista!
O texto lido hoje é composto de duas partes, facilmente identificáveis: a primeira (vv. 6-8) funciona como introdução, e faz parte do rico prólogo poético-teológico (Jo 1,1-18); a segunda (vv. 19-28), que é o desenvolvimento da introdução, corresponde ao início da primeira seção narrativa do Evangelho (Jo 1,19-34), que trata exatamente do testemunho de João. O Evangelho segundo João começa com um prólogo (Jo 1,1-18), no qual Jesus é apresentando como a Palavra/Verbo (em grego: λόγος – logos), preexistente no tempo e no espaço, princípio originário de todas as coisas que, num certo momento da história, fez-se carne e veio habitar entre nós (Jo 1,14); veio como luz, para iluminar um mundo marcado por trevas.
O prólogo do Quarto Evangelho é um hino altamente cristológico: é todo voltado para o Cristo. Mesmo assim, o autor abre espaço para, nesse hino, falar da existência de um homem: “Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João” (v. 6). Ao falar de Jesus e de sua vinda ao mundo, a figura de João não pode ser ignorada. Aqui, o evangelista está abrindo uma exceção muito significativa, pois ser enviado por Deus, no Quarto Evangelho, é um atributo reservado ao Filho e ao Espírito Santo.
A missão de João é definida logo a seguir: “Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele” (v. 7). Obviamente, a luz da qual João veio dar testemunho é Jesus, a Palavra (logos), já presente no mundo, mas ainda não reconhecida; daí, a necessidade do testemunho de João para o despertar das consciências, quer dizer, para que todos cheguem à fé e acolham a luz. No Quarto Evangelho, João nunca é chamado de Batista, como é definido nos Sinóticos; Batista é um nome puramente funcional: expressa apenas a atividade de batizar, por isso é chamado somente de João, porque neste Evangelho a sua missão é dar testemunho, o que se faz mais pelo jeito de ser do que pelo exercício de uma atividade. É claro que o evangelista também afirma que João batizava, mas não define sua identidade a partir desta atividade.
Dominada no campo político-econômico pelo império romano, e no âmbito religioso-ideológico pela elite sacerdotal de Jerusalém, a Palestina do tempo de Jesus estava totalmente envolta em trevas. No Evangelho segundo João, trevas/escuridão significa negação da vida, escravidão, ausência de amor e justiça. O povo estava ansioso por luz; por isso, o evangelista apresenta Jesus como luz. Embora tenha vindo para irradiar luz sobre o mundo inteiro, foi no contexto específico da Palestina que começou, sendo continuada em todo o mundo pela missão da Igreja. E para que João não fosse confundido com ele, o evangelista tem o cuidado de esclarecer: “Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz” (v. 8). Mesmo tendo um papel importante na construção do mundo novo, iluminado por Jesus, João não pode ser confundido com aquele que é luz e vida por excelência; na verdade, nenhum ser humano pode e nem deve.
João veio como testemunha (em grego: μαρτυρία – martyria); essa palavra foi muito importante para a comunidade joanina e para todo o cristianismo primitivo, como continua sendo ainda hoje. Dar testemunho, literalmente, significa ver e falar a favor, confessar. No contexto das perseguições, passou a ser sinônimo de sofrimento e sangue derramado; pois quem sustentava o testemunho nos julgamentos e interrogatórios, quem mesmo forçado e pressionado confessava a fé, terminava morto. Foi assim que a palavra se universalizou no cristianismo como sinônimo de sofrimento.
Após introduzir a figura e a missão de João, com suas credenciais de testemunha da luz, o evangelho passa a descrever o seu testemunho propriamente, marcado desde o começo pelo confronto com os responsáveis pelas trevas que cobriam o mundo na época: “Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: ‘Quem és tu?” (v. 19). De início, é importante esclarecer que evangelista João emprega o termo judeus para designar as classes dirigentes de Jerusalém, o sinédrio, e não o povo judeu em si. Certamente, os dirigentes judeus receberam notícias preocupantes; a pregação de João começava a surtir efeito, muita gente ia ao seu encontro. Com isso, espalhavam-se boatos a seu respeito.
Como a luz é ameaça para as trevas, os movimentos populares são ameaças para os controladores da ordem vigente, para quem controla sistemas autoritários. Assim, a pregação de João preocupava os detentores de poder na sua época. Por isso, diz o texto que as autoridades enviaram uma comitiva, composta de sacerdotes e levitas, para fiscalizar a atividade de João, perguntando pela sua identidade: “Quem és tu?”. Mais do que curiosidade, essa pergunta revela o menosprezo dos que se sentem os únicos autorizados a falar em nome de Deus. Revela também o medo da perda de privilégios. Como boa testemunha da luz, João responde, confessando quem ele não é: “João confessou e não negou. Confessou: ‘Eu não sou o Messias’” (v. 20). Quem tem consciência de sua missão, não assume o lugar e a competência do outro. Confessar é um verbo muito caro para a teologia do Quarto Evangelho; tem um sentido muito próximo ao significado de testemunha.
As lideranças de Jerusalém tinham medo de movimentos emancipatórios e de um messias que não se enquadrasse em seus esquemas doutrinais. Por isso, insistem no interrogatório: “Eles perguntaram: ‘Quem és, então? És tu Elias?’ És tu Elias?’ João respondeu: ‘Não sou’. Eles perguntaram: ‘És o profeta?’ Ele respondeu: ‘Não’” (v. 21). À medida em que perguntam, aumentando a pressão, as respostas de João vão ficando cada vez mais simples. O crescendo nas perguntas corresponde às concepções teológicas e expectativas messiânicas da época: acreditava-se que a manifestação do Messias seria precedida pelo retorno de Elias (Ml 3,21) e pela vinda de um profeta sucessor de Moisés (Dt 18,18). Como João confessou não ser o Messias, imaginavam que poderia ser um dos personagens que deveriam vir antes. Os Sinóticos relacionam João a esses personagens, ao apresentá-lo como precursor. Para o Quarto Evangelho, no entanto, João é apenas testemunha.
Os enviados do templo para inspecionar a atividade de João, assim como seus chefes, tinham toda a doutrina da religião memorizada, viviam em função dela e fechados nela, a ponto de não aceitarem que Deus agisse fora de seus esquemas tradicionais. O evangelista, de modo sutil, denuncia tendências de fechamento na sua comunidade, mostrando que a ação de Deus transcende a doutrina. É impossível submeter o agir de Deus a um esquema doutrinal. Não sendo o Messias, nem o sucessor de Moisés, nem Elias, quem mais João poderia ser? Por isso, a pergunta revela o quão pressionados eles estavam: “Quem és afinal? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo?” (v. 22). Para os judeus, o que não fosse fundamentado pela lei e os profetas, não podia vir de Deus. A lição do evangelista para sua comunidade serve para o cristianismo de todos os tempos: quando se fecha na doutrina, ignora-se a ação do Espírito. Por sinal, o Espírito é uma categoria muito importante para a comunidade joanina, porque ele ilumina e conduz à verdade, gerando amor entre todos; após a ressurreição, será o condutor da comunidade.
A resposta de João, mais uma vez, mostra a sua grandeza revelada na pequenez. Finalmente, ele diz quem é: “João declarou: ‘Eu sou uma voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’ – conforme disse o profeta Isaías” (v. 23). Aqui o seu testemunho se revela, de fato, profético. O profeta é aquele que se esconde no anúncio, porque não é o conteúdo, mas apenas instrumento; é mensageiro, e não a mensagem. Ao declarar que é apenas uma voz, João confessa que Jesus, de quem ele dá testemunho, é a Palavra. A voz é apenas um eco que se dissolve e desaparece em poucos segundos, enquanto a Palavra permanece. é eterna, a qual existe deste o princípio (Jo 1,1). Com essa simples resposta, João antecipa a missão dos seguidores de Jesus em todos os tempos: ser voz que ressoa a única Palavra que liberta e salva.
Aplainar os caminhos do Senhor significa remover os obstáculos para que a mensagem libertadora do Evangelho possa ressoar e produzir efeitos. Esses obstáculos são: a injustiça, o ódio, a indiferença, a cobiça, a violência, a corrupção, o preconceito, o proselitismo, enfim, tudo o que impede os homens e mulheres de viverem como irmãos e irmãs, em plena liberdade e com seus direitos garantidos. Infelizmente, muitos destes obstáculos tinham sido postos no caminho pela própria religião institucionalizada. Por isso, seus dirigentes estavam preocupados com a voz forte de João, o qual anunciava em consonância com os antigos profetas, os quais também foram silenciados pela instituição religiosa (Amós, Jeremias, Isaías, Miquéias...).
À medida em que os encarregados da religião oficial continuavam a interrogá-lo, João deixava cada vez mais clara a natureza da sua missão de preparar o caminho do Senhor, batizando com água aqueles que dele se aproximavam e, ao mesmo tempo, chamando a atenção para uma novidade: “no meio de vós está aquele que vós não conheceis, e que vem depois de mim” (vv. 26). Nessa expressão está a chave de leitura de todo o texto para a perspectiva do advento: conhecer e reconhecer quem já veio e já está no meio. Não buscá-lo em eventos ou intervenções extraordinárias, nem esperá-lo em longas e utópicas vigílias, mas reconhecê-lo na situação presente, na simplicidade das coisas.
Depois da voz de João gritando no deserto, e do seu testemunho da luz, devemos reconhecer a presença de Jesus em nosso meio também dando testemunho da luz, ouvindo a voz que ressoa do deserto, mas também colocando-nos como vozes da Palavra por excelência, Jesus. O reconhecimento passa pela abertura de mentalidade, a conversão, desarmando-nos do fechamento e rigidez das doutrinas, e aprendendo a reconhecer a ação de Deus nos acontecimentos do dia a dia. A certeza de que Ele está presente torna nosso caminho para acolhê-lo mais realista!
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