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4. Mistérios da vida

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27.02.2017 | 2 minutos de leitura
Solange Maria do Carmo
Poesia
4. Mistérios da vida

Enquanto eu atendia seu João no terreiro de chão batido, sob a luz da lua, 

A menina Peinha cantava e rezava com o povo no interior da capela. 

Seu João vinha pedir sustento para o corpo e buscar alívio para a alma. 

Peinha piedosa contemplava os mistérios gozosos do terço da Virgem.


Seu João desfiava em meus ouvidos a ladainha de ais da via sacra de sua vida, 

E recitava mistérios dolorosos de sofrimentos concatenados em série,
cuja lógica me escapava mais que a encarnação que Peinha anunciava
e me fazia crer que o gozo era reservado à Virgem Maria, e a dor a seu João.


Peinha dizia convicta ao povo que o anjo Gabriel baxô e sodô Nossa Senhora. 

Simpático esse enviado de Deus, que se digna a cumprimentar a jovem Maria. 

Parece pedir licença para fazer o que seu nome indica e cumprir sua tarefa. 

Eu, no terreiro, pensava em meu nome e em como me tornar consolação.


Peinha não sabe nada da encarnação; pra ela esse é só um nome difícil. 

Difícil pra seu João é a vida encarnada, que caminha para a crucifixão. 

Eu, que me dedico por meio da teologia a meditar os mistérios salvíficos, 

admito não saber explicar a reza de Peinha e nem a vida de seu João em agonia.





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