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382. da paixão

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28.03.2024 | 2 minutos de leitura
Pe. Eduardo César Rodrigues Calil
Poesia
382. da paixão
I estação 
o corpo condenado. será preciso amarrá-lo com essas cordas pesadas, essas cordas de palavras?

II estação 
me impuseram um fardo às costas: a cruz de não poder gozar o corpo.

III estação 
nem toda palavra salva. as tuas foram teias armadas para prender. caí pela primeira vez.

IV estação 
encontrei finalmente a minha mãe e não ouvi mais a esfinge. agora a amo, como nunca, porque posso lhe virar as costas. 

V estação 
o abraço dos cirineus me fazem falta. mas há caminhos que só podemos fazer sós.

VI estação
Verônica é a verdade não-toda. Toda verdade é um ícone de carne e de sangue.

VII estação
diante de suas mentiras, traições, caí pela segunda vez. mas caí melhor, com mais talento.

VIII estação 
mulheres não chorem pela árvore verde… sou uma quaresmeira: começarei uma nova estação. a criação do mundo é já.

IX estação
para quem aprendeu a cair, a derrota não assusta. eu vou revelar o lugar, atravessando-o.

X estação
despido das palavras sou uma nudez crua; estou entre a linguagem e o gozo e insistes em me calar. 

XI estação 
consubstanciar a madeira da cruz e o fogo que acende o mundo - ele, o corpo pendido. 

XII  estação 
continuo dizendo: tudo está consumado. não é sede de acabar, mas de ver um novo começo.

XIII estação 
oh doce piedade, quem não quer um colo onde repousar o corpo morto do insucesso?

XIV estação 
um corpo morto antes da hora: como levantá-lo desse enterro que se fez da vida?

XV estação 
deus existindo, tudo se resolve na esperança: dá até pra se descuidar um pouquinho. 

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