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333. róseo

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13.12.2023 | 1 minutos de leitura
Rodolfo  Lourenço
Poesia
333. róseo
por uma janela estreita e imunda, vejo-o, na rua de trás, espremido entre prédios, róseo ou lilás, como preferirem, ostentando sua beleza natural, improduzível, senão com a ajuda de uns bons raios de sol. o brilho distinguível das folhas-ametista, e o preci(o)so momento de vê-las rasgando a selva de concreto, com a discrição de quem nos engana. a natureza finge não ser mais forte, apenas para derrubar nossos prédios. 
portentoso à liberdade do vento, seus encantos vão desaparecendo à chegada da tardinha, que emaça ainda mais a janela imunda. Todo golpe de vista, ainda que seja para as coisas mais belas, mais cândidas, mais ipês, é sempre por uma janelinha...
róseo, é o que prefiro. apesar da arbitrariedade. como quem decide o mundo. ver é sempre decidir. agora que fecho os olhos, posso sentir o perfume de minha fantasia. ela desfolha sobre mim e estou sentado ao pé do ipê. e somos todos natureza. essa que vivemos denegando com religiões e culturas. sublimando com poesias...
amanhã quero apenas uma coisa: ser ipê. 

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