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308. depois um

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14.08.2023 | 1 minutos de leitura
Pe. Eduardo César Rodrigues Calil
Poesia
308. depois um
depois haverei de te amar. no entardecer, no crepuscular do sol na varanda, pintando o céu com suas nuvens ralas. toda nuvem é um mistério de algodão, quando a noite vem. lá, amar-te-ei com sorrisos largos, à noitinha... brindaremos as memórias de tudo o que foi lindo, apesar de nós. além de nossas mãos. num só depois...
depois seremos felizes. mais cordatos, mais atentos e dispostos. nossas palavras menos solenes, nossos gestos mais benfazejos, nosso toque mais cioso... menos criteriosos, como quem se deixa perder... como quem não teme a deformação que o amor promove. saberemos menos um do outro... e menos ainda... e o amor será, enfim, a soma das incompreensões. será o respeito sagrado pelas distâncias, pelo espaço, que decidiremos cruzar para o ofertório das carícias e das palavras. 
depois sorriremos. amanhã quem sabe. ano que vem, talvez. depois de um tempo... depois das saudades, essa palavra esvaziada com que queremos relançar a importância da presença, depois de já nos termos acostumado com ela. as pessoas duvidam que os amores podem morrer de inanição. só depois se dão conta. depois faremos o luto...o luto silencioso, a luta atroz para arrancar de nós a saudade. a verdadeira saudade. 
depois seremos de novo...menos ousados, mais indispostos. amor dá trabalho. depois seremos qualquer coisa, porque não fomos capazes de um agora... porque fomos deixando o tempo encher de musgo, o muro de nossos sonhos. 
depois nossos poemas serão mais lindos. evocarão uma presença na ausência. cantarão que trazemos no olhar a presença – do que deixamos se perder... será nosso jeito solene de inventar mentiras. para continuar depois.

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