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284. Odres

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04.06.2021 | 2 minutos de leitura
Pe. Eduardo César Rodrigues Calil
Para Rezar
284. Odres
Dá-me, Senhor, um pouco do teu vinho,
para arrebentar com ele os odres velhos.
Sei do valor inestimável do vinho bom,
mas permita-me usar o suficiente para estourar,
com seu vigor, a resistência destes sacos velhos, caducos de tempo e pele morta.
Vou entorná-lo, mas com a graça de ver rasgar o que insisto em repetir;
conservadorismos e gozos.

Sei de tua ordem: não deitarás vinho novo em odres velhos.
Mas é que preciso romper antigas regras.
Quero deixar instituições já mortas, estruturas já carcomidas de demência e senilidade.
É preciso desfazer antigos ciclos. 
De tanto repetí-los posso reelaborar, mas não mudo,
enquanto se manter algum apreço aos odres antigos.
Mesmo o respeito pelo velho, eu abandono em minha prece:
quero romper de dentro pra fora o que não presta.

Dá-me, enfim, um pouco mais do vinho novo.
Não o peço todo.
Só o bastante para que o odre novo se lembre do vazio,
que também o preenche. Vinho e vazio.
O vinho da alegria mora no furo do odre.
E mesmo assim o furo permanece...
Quero o aroma do vinho bom...
O aroma que faz o passado ganhar novos contornos:
ficção recriada e refeita pelo poder das palavras.

Peço-te, Senhor, a graça do desperdício.
Há que se perder algo do vinho da alegria,
para abandonar o que já não pode proteger
e guardar a novidade do vinho bom
e a necessidade do vazio.

Amém.

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