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265. O martelo

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13.10.2022 | 1 minutos de leitura
Pe. Eduardo César Rodrigues Calil
Poesia
265. O martelo
Você pode dizer que chegou lá,
Mas falta ainda um percurso, 
Um itinerário,
Uma jornada inteira no escuro,
Estrada abaixo, 
Ao vilarejo escondido, 
De casebres velhos e de palha.
Falta ainda pisar o barro vivo da vida.
Sujar-se consigo, 
Com essa malignidade que se quis
Expulsar, 
E que se cria ter conseguido.
Você pode dizer que chegou lá,
E olhar repugnantemente para quem 
Nunca pensou em chegar,
Mas ainda faltará atolar os pés 
Até os calcanhares.
Faltará uivar na noite 
Seus próprios demônios,
Encará-los como quem toca a loucura.
Tocar a loucura:
En-sã-de-ser. 
Em são de-ser.
Deixar-de-ser. 
Ir deixando de ser, os avós,
Os pais,
A cultura,
A religião,
O Outro,
E ser apenas esse sujeito, 
No desamparo da noite.
Sozinho 
E elo de mundos. 
O martelo tinha razão: 
Não produz estrela, 
Quem não dançou com o caos.

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