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208. Delírios contra-Neros

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20.07.2021 | 1 minutos de leitura
Pe. Eduardo César Rodrigues Calil
Poesia
208. Delírios contra-Neros
Quero tomar a bastilha,
Apreender toda a pólvora 
E incendiar os palácios.
Antecipar o inferno
Quebrando os caça-níqueis,
Vandalizando seus shoppings,
Profanando seus templos. 
Ser a vingança da Terra,
Como cabe aos delirantes.
Engolir meio mundo numa fenda
De lava e cinzas.
Levantar a tampa frágil dos castelos,
Com vento forte e destemido. 
E num bramido, estourar o tímpano
Dos surdos. 
Cegar os cegos com lampejos.
Quero o raio e o trovão, o fogo 
Caindo do céu 
Como num apocalipse definitivo, 
Pois adiaram 
O amor com suas desculpas.
Quero ser o tempo das dez pragas, 
E a morte dos primogênitos de todo 
Faraó, 
A custo de ter que derramar alguma 
Lágrima,
Enquanto degolo seus pescoços 
inocentes.
Inocentes?
Quero a frieza, a frieza da lâmina,
Descendo como guilhotina
Na cabeça e no bolso de Nero. 
Prendê-lo na Roma Brasiliense,
Tostá-lo com línguas de fogo. 
Até não restar nada, senão 
Sua carniça.

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