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9. Quaresma: tempo de redescobrir o Batismo

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21.01.2016 | 4 minutos de leitura
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9. Quaresma: tempo de redescobrir o Batismo

O tempo litúrgico da Quaresma possui duas dimensões fundamentais: a penitencial e a batismal. A primeira é sobejamente conhecida pela ênfase dada a esse período como tempo de conversão e penitência. A segunda, sobretudo por causa da quase extinção do catecumenato, ficou imersa na penumbra durante séculos. A reforma litúrgica promovida pelo Concílio Vaticano II resgatou o caráter batismal da Quaresma. Fez isso não só em vista da revitalização do catecumenato, mas considerando também a necessidade que os já batizados têm de conhecer melhor e aprofundar o sentido deste que é o sacramento basilar da vida cristã.


Lamentavelmente o Batismo é um ilustre desconhecido para muitos cristãos. Quantos não só o ignoram, mas têm esse sacramento apenas como um costume piedoso ou uma obrigação a cumprir e nada mais. Uma parcela considerável dos batizados desconhece a sublimidade desse sacramento e o seu papel decisivo na vida cristã. Um grande autor espiritual do século XX, o jesuíta Pe. Raul Plus, apontou alguns obstáculos a serem superados ao se pregar sobre o Batismo. Afirmou que os grandes termos teológicos que dão a significação profunda do Batismo soam hoje como coisas abstratas para muita gente. O que as pessoas entendem por “graça”, “vida nova”, “renascer da água e do Espírito”? Não se trata, porém, de abandonar esses termos enraizados na Bíblia e consagrados pela Tradição da Igreja, mas de explicá-los de forma bem acessível aos fiéis.


Revelar o profundo sentido do Batismo é uma tarefa inadiável. O Batismo não tem nada de abstrato, mas é um evento concreto na vida de cada cristão. Eis, portanto, um bom ponto de partida: introduzir os cristãos na realidade do seu batismo a partir da celebração litúrgica. Esse foi o caminho trilhado pela Igreja nos primeiros séculos. Dentro dessa lógica, a Quaresma é um excelente momento para se empreender o caminho de redescoberta do Batismo. É durante a Quaresma que os catecúmenos recebem a preparação final para o Batismo na Vigília Pascal. Por sua vez, os já batizados são convidados a renovar e aprofundar o seu compromisso batismal. Os textos bíblicos, as orações litúrgicas, o simbolismo e a mística da Quaresma concorrem favoravelmente para uma boa catequese batismal. Não se trata de inventar algo “novo” na celebração para assim evocar o Batismo. O necessário já existe e está na própria liturgia. Precisamos aprender a contemplar e viver a quaresma a partir de uma perspectiva batismal.


É gratificante perceber a alegria quando uma pessoa redescobre as maravilhas do seu batismo! Tal redescoberta revela o dom da presença de Deus – de forma singular - em sua existência. Sua vida não é mais coisa qualquer, mas vida consagrada a Deus. Fato ainda mais admirável: o batismo converte quem o recebe num prolongamento vivo de Cristo, membro de seu Corpo eclesial. Tudo isso por força do Espírito Santo. Para aquele que reencontrou o seu Batismo o “já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20) não é apenas uma bela frase, mas um fato. Nesse momento, palavras como graça, vida nova, novo nascimento, regeneração, filiação divina mostram-se também como realidades não só próximas, mas vivas porque experimentadas concretamente.


A liturgia continua sendo o caminho mais eficaz para se redescobrir o Batismo. Um dos expoentes da oratória francesa, François Fénelon, aconselhava aos párocos do seu tempo: “mostrai-lhes (às crianças) a pia batismal, que elas conheçam também como na Quinta-Feira Santa são preparados os santos óleos, e, no Sábado Santo, como se abençoa a água da pia batismal”. Excelente conselho! A liturgia bem celebrada, além de falar por si mesma, fornece um caminho viável de redescoberta do batismo. A apresentação da liturgia do Batismo ao longo da quaresma, a sua ligação com a Palavra de Deus e com o contexto litúrgico, sua atualização na vida cotidiana podem revelar aos cristãos de hoje as desconhecidas riquezas da vida batismal.







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