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85. Equipe de recepção ou acolhida

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06.04.2017 | 4 minutos de leitura
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85. Equipe de recepção ou acolhida

Em quase toda comunidade, temos encontrado equipes de acolhida que trabalham durante a realização das celebrações promovendo o bem-estar dos participantes do culto. São voluntários que cumprimentam as pessoas na porta do templo, distribuem folhetos, ajudam a arranjar lugares para os mais idosos e as mães com crianças no colo (se bem que, com o esvaziamento dos templos, lugar não é mais problema), auxiliam alguém que porventura venha a sentir-se mal, resolvem problemas de logística que aparecem durante o culto, como ligar e desligar ventiladores etc. É bom ver que nossa gente começou a reconhecer a importância de pequenos gestos de cortesia, de simpatia e de bons tratos com o outro. Demorou, mas desconfiamos que as pessoas precisam ser bem recebidas e bem instaladas no templo para celebrar como gosto.


Tenho notado, porém, alguns problemas envolvendo essas equipes. Em alguns casos, sua atuação pode mais atrapalhar que ajudar. Vejamos. Faz parte da missão da equipe de acolhida manter o silêncio que favorece a oração. Em nome da missão que lhes foi confiada pela comunidade eclesial, não raro alguns têm destratado os bêbados, os mendigos, os “loucos”, os ditos “fora da normalidade”, que – vamos admitir – adoram esses ambientes religiosos. Desde muito, a escória da humanidade se sentia atraída por Jesus e vivia atrás dele, a ponto de os evangelistas narrarem que ele vivia cercado de gente de má fama: prostitutas, publicanos, pecadores, possessos que gritavam, doentes escandalosos e desesperados, impuros em geral. Em nome do bom andamento da liturgia, ministros da acolhida são grosseiros com esses pobres marginalizados, retirando-os do culto, privando-lhes do direito de também celebrar. É a liturgia dos puros, dos santos e dos normais! Mas não é a liturgia de Jesus que fez da sua vida junto aos excluídos uma oferta agradável a Deus! Jesus não mediu esforços para amar e acolher, mesmo que para isso tivesse que quebrar os protocolos religiosos previstos! É o caso de muitas curas relatadas nos Evangelhos. Elas se dão no templo ou nas sinagogas e atrapalham a rubrica estabelecida. Jesus não está nem aí pra isso. Importa a vida humana que precisa ser valorizada e amada. Falta às pessoas da equipe empatia com os aqueles que são socialmente diferentes, coisa que nunca faltou no Homem de Nazaré.


Outro caso não incomum é o excesso de simpatia e de conveniências na hora da liturgia. Que haja água potável e banheiros à disposição do povo nos locais dos templos, isso é ótimo. Mas fazer um tour pela igreja com jarras de água na mão na hora da missa oferendo ao povo, aí já é demais! A não ser em casos especiais, todo mundo é capaz de ficar uma hora, ou pouco menos ou pouco mais, sem beber água! Ninguém de saúde estável passa mal de sede por ter de esperar a celebração acabar para poder beber água – a não ser que ela dure um dia inteiro (e, do jeito que as coisas andam, não duvido que encontremos liturgias desse estilo!). Já fui a um templo católico – catolicíssimo! – no qual a equipe de acolhida saía servindo água nos bancos. Excesso de simpatia; falta de bom senso! Não tenho nada contra o caráter de refeição da eucaristia, onde beber água seria normal, aliás sou defensora dele, mas, em nossos cultos, em que a celebração foi transformada em uma cerimônia ritual, não parece caber o trabalho desses serventes. 


Aos que prezam pelo silêncio e despacham os que atrapalham o bom andamento da celebração, lembro: mais vale a vida que a liturgia; a melhor oração é o amor! Aos supersimpáticos que nos servem água, agradecemos a gentileza e a disposição em nos servir, mas lembramos que cada coisa tem seu lugar. Dá para esperar uma horinha para tomar uma água fresca, a não ser que a gente se sinta mal na igreja – coisa muito rara! Aos párocos, formem suas equipes para o ministério que lhes confiam. Fica aí a dica!







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