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4. Indo atrás das ovelhas

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06.01.2016 | 6 minutos de leitura
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4. Indo atrás das ovelhas

Tendo entrado em acordo com o pároco, tendo feito parceria com os conselhos e incentivado a comunidade eclesial em geral, é hora de visitar os catequizandos e convidar para participar da catequese.


A Catequese Permanente trabalha com o sistema da visita domiciliar. As inscrições são feitas de casa em casa e não no escritório paroquial, como de costume. Parece coisa difícil, e até impossível. Mas não! A experiência mostra que o esforço vale a pena.


Disse Jesus no Evangelho de Mateus; “Ide pelo mundo inteiro e pregai o evangelho a toda criatura!!” (Mt 28,17). A ordem é “ir” e não “ficar esperando” que venham até nós. É o pastor quem vai atrás da ovelha perdida e não a ovelha que acha o caminho de volta para o rebanho. Essa saída é muito importante. Além dos frutos comumente produzidos como valorização do outro, contato com a realidade das famílias, maior número de inscritos para a catequese etc., ela ainda é muito simbólica. Aquela história de avisar na missa que as inscrições estão abertas e que os interessados procurem o escritório paroquial não funciona. Primeiro, quase não tem gente interessada. Nós é que devemos motivá-las para que o interesse seja despertado. Segundo, maior interesse deve ter a Igreja em evangelizar e não o povo em ser evangelizado. Em tempos de mundo secularizado e descristianizado, esse aviso de “os interessados que procurem” não funciona mais.


“Ir” até o outro significa que queremos acolhê-lo como ele é, como se encontra, sem exigências prévias. Significa que estamos dispostos ao diálogo, à partilha, à comunhão fraterna. Quando alguém abre as portas de sua casa para nos acolher, é muito mais que uma porta de madeira que é destrancada. São as portas do coração, da vida, que se destrancam nos convidando ao convívio. Abrindo as portas do coração para nos receber, as famílias – assim como elas são e não como idealizamos que elas devem ser – acolhem a Palavra da vida da qual somos portadores. Por isso, é muito importante preparar bem os visitadores. Os preconceitos devem ser superados; o moralismo deve ser totalmente rejeitado; a pretensão de ser o dono da verdade deve ser jogada no lixo, pois ninguém possui a verdade; nós só nos aproximamos dela, mas para perceber quão grande ela é e como escapa às nossas mãos. Ao sairmos do aconchego de nossos lares para ir até o outro, lembremo-nos do que nos tem ensinado o papa Francisco: devemos ir pelas encruzilhadas, atrás das ovelhas, ainda que o preço seja voltar todo sujo de lama, cheirando a ovelhas.


Mas onde arranjar tanta gente para visitar toda a paróquia? Bom, esse trabalho evangelizador tem de ser um empreendimento da paróquia e não só da catequese. A paróquia é a grande responsável pela catequese. Exatamente por isso toda a comunidade eclesial foi integrada ao projeto. Os conselhos das comunidades devem se mobilizar para formar equipes visitadoras para seus bairros. Se cada pessoa visitar 20 casas, rapidinho a gente visita todo mundo. É hora de unir esforços: coordenadores, membros de pastorais, catequistas, jovens, casais, todo mundo pode ajudar. Seria bom que, ao motivar a comunidade nas celebrações como falamos no texto anterior, o pároco ou pessoa responsável já avisasse das visitas para ninguém estranhar quando chegar alguém em sua casa. Além disso, é ótima ocasião para pedir ajuda da comunidade para fazer a visitação. Uma equipe deve estar a postos anotando nome, telefone e endereço dos voluntários. Depois, é só ajuntar todo mundo na comunidade, dar as orientações gerais sobre a visita, fazer as inscrições numa ficha de inscrição própria (modelo nos anexos) e entregá-las ao coordenador da catequese.


Mesmo a inscrição sendo feita de casa em casa, é bom manter a tradicional inscrição no escritório paroquial, assim como gerar a possibilidade de inscrição online, por meio do site da paróquia. Muita casa pode ser visitada e não ter ninguém presente para receber os missionários. Seria bom levar um folder ou carta com endereço da paróquia, horário de funcionamento do escritório paroquial, endereço do site etc., avisando que a inscrição pode ser feita também por esses meios. Vamos tentar disponibilizar um modelo de folder (modelo nos anexos, em breve) que poderia ser impresso e deixado com as famílias, mesmo com aquelas com quem conversamos pessoalmente.


Seria muito bom que a equipe visitadora tivesse um crachá de identificação, com carimbo da paróquia e tudo mais. Nas cidades pequeninas, não há problema: todo mundo se conhece e abre as portas para quem chega. Mas, nas cidades maiores, não é bem assim. Especialmente em grandes centros urbanos, onde a violência é crescente, todo cuidado é pouco. No dia da visita, o visitador deve estar portando o crachá e chegar às casas em nome da paróquia. Ele é um enviado da paróquia; é em nome dela que ele vai até as famílias, convidá-las para participar do processo catequético.


Bom também seria que os visitadores fizessem o trabalho no mesmo dia em determinada comunidade. Marca-se um lugar para encontrar. Lá, divide-se o grupo em duplas. Distribui as fichas de inscrição e lembra como deve ser a visita (o próximo artigo vai ser sobre a visitação). O grupo reza junto, pede a força de Deus. Distribui as ruas para cada dupla; cada um põe seu crachá e lá vão os missionários dois a dois anunciar o Reino, acolher a todos, inscrever para a catequese.


A experiência da visita é maravilhosa. As famílias ficarão surpresas ao ver católicos visitando as casas, convidando para participar da comunidade eclesial, conhecendo a realidade das famílias. Vai ter gente que não vai abrir a porta, vai ficar insegura, com medo... Mas a dupla segue seu destino, em paz. Quem abrir, a gente entra. Quem não aceitar vai ter chance de repensar sua decisão depois.


Coragem a todos que se aventuram nessa tarefa de visitar as famílias!







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