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3. Evangelização dos jovens

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27.11.2014 | 3 minutos de leitura
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3. Evangelização dos jovens

Após o Pentecostes, relata Lucas, Pedro abriu as portas do Cenáculo e pregou (cf. At 2,14). Cheios do Espírito, os apóstolos e os demais presentes têm necessidade de partilhar a fé, de anunciar aos outros a experiência forte que acabaram de fazer. Então Pedro, de pé, como um profeta a proclamar um oráculo ou um juiz a pronunciar uma sentença, se põe a proclamar às multidões. Sua palavra não é um ensinamento, mas uma partilha: Pedro comunica sua experiência de transbordamento, cuja causa não é o vinho, mas o cumprimento das Escrituras em suas vidas (cf. At 2,14-21). E, logo em seguida, anuncia o centro de tudo: o causador de todo aquele tumulto é Jesus de Nazaré que foi morto, mas está vivo. É para cumprir sua promessa que o Espírito fora derramado em abundância sobre eles (cf. At22-24.32-33).


A pregação querigmática de Pedro, colocada logo no começo do livro dos Atos dos Apóstolos, é emblemática: Lucas vai dedicar esta obra ao anúncio da boa-nova e, para ele, a boa-nova é Jesus. Aquele que passou a vida anunciando a palavra tornou-se agora a palavra anunciada. O evangelizador tornou-se evangelho. Lucas sabe que ninguém pode aderir ao Caminho (a Igreja nascente) se não fizer sua experiência pessoal com Jesus Cristo, se não aceitar sua pessoa, sua obra, sua missão. Por isso não se cansa de pôr na boca dos apóstolos – especialmente de Pedro e Paulo – o anúncio do querigma. Para fazer parte da comunidade cristã era preciso ser iniciado na fé no Cristo morto e ressuscitado, um apelo que Lucas não desiste de fazer aos seus leitores até o final de seu livro.


Salta aos olhos a lógica lucana: o transbordamento do Espírito não pode ficar preso dentro das paredes do Cenáculo. A fé precisa ser partilhada e testemunhada ao mundo, pois tal é sua preciosidade que seria crueldade negá-la a nossos irmãos e irmãs ainda não iniciados. Plagiando o esquema lucano, poderíamos dizer que é hora de a Igreja abrir suas portas e anunciar aos que estão de fora, principalmente nossos jovens – excluídos da vida eclesial pelo desinteresse pela fé cristã – a boa-nova que é Jesus Cristo. É hora de corrigir o déficit de iniciação que a fé católica deixou, tão acostumada estava com o regime de cristandade que não se empenhou na tarefa da evangelização como deveria. E este é um direito não só dos jovens, mas de todos. Até mesmo de nós que já estamos engajados na vida eclesial, pois a iniciação jamais termina, afinal Jesus não cessa de nos surpreender com sua presença amorosa e de exigir de nós novas respostas de seguimento.







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