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21. O Livro de Isaías: A presença de Deus dita de vários modos por diversas pessoas

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16.09.2014 | 4 minutos de leitura
Solange Maria do Carmo
Livros Bíblicos
21. O Livro de Isaías: A presença de Deus dita de vários modos por diversas pessoas

Até agora, relutamos em introduzir grandes livros, sempre na esperança que, pegando livros menores, daríamos ao leitor maior oportunidade de se aventurar na leitura dos textos bíblicos. Mas chegou a hora de enfrentar os grandes profetas e fechar a coleção que leva este nome “Livros Proféticos”. Tomemos hoje o Livro do profeta Isaías.


O Livro de Isaías traz o nome de um grande profeta que atuou durante grande período (de 740 a 700 a.C.) no reino do Sul, junto a diversos reis que lideraram Judá. Ao pensamento deste grande nome, foram agregados vários outros textos que retomaram a teologia do profeta, de forma que o Livro de Isaías, tal como o temos hoje, é resultado de uma escola teológica que perpassou fases diversas, desde a invasão dos assírios (antes do Exílio), passando pelo Exílio, até a restauração posterior, no período persa.


Todo o livro de Isaías mostra a constante presença do Senhor no meio do seu povo. Seja antes do Exílio, cuidando para que sua gente não sucumbisse diante dos inimigos, seja durante o Exílio, mantendo acesa a esperança da ação de Deus, seja depois do Exílio, animando o povo a recomeçar. Certo é que, apesar de um texto composto a diversas mãos, em tempos tão distintos, o livro de Isaías, tal como o temos (a partir do século IV a.C.), revela como o Deus da vida não abandona sua gente, mandando profetas para adverti-lo e socorrê-lo em suas infidelidades.


O Livro se encontra dividido em três partes, mais conhecidas como Primeiro ou Proto Isaías (capítulos 1 a 39), Segundo ou Dêutero-Isaías (capítulos 40 a 55), Terceiro ou Trito Isaías (56 a 66).


O Primeiro Isaías foi aquele que deu origem ao nome do livro. Aconselhou a descendência davídica por mais de 40 anos, desde o rei Ocozias até o rei Ezequias, com atuação importante junto ao rei Acaz, logo antes da experiência do Exílio. Durante esse tempo, Jerusalém se viu sob diversas ameaças e a atuação do profeta teve grande importância para ajudar o reino do Sul a encontrar caminhos para as suas crises.


O Segundo Isaías viveu por ocasião do Exílio Babilônico, acompanhando o povo deportado na sua desventura longe de sua terra natal (597 a 538 a.C.). Certamente, trata-se de um exilado que, sofrendo as agruras do exílio, interpreta o momento histórico sob a ótica da palavra do primeiro Isaías. Tal é a importância desses escritos para o povo deportado que tal coleção ganhou o nome de “livro da consolação”. Seu teor esperançoso de todo o texto anima a gente sofrida do exílio. O profeta observa o avanço das tropas de Ciro, rei da Pérsia, e vê em cada vitória alcançada pelos persas o sinal da libertação que se aproxima. Faz parte desta bela coleção os “Cânticos do Servo Sofredor”, que ainda hoje impressionam por sua beleza e mensagem.


O Terceiro Isaías certamente viveu depois do Exílio, já nos tempos do retorno e da restauração de Judá. Um repatriado de Jerusalém se põe, à luz de seus predecessores, a interpretar a nova fase que se descortina no horizonte da história de Judá, animando sua gente a reconstruir não só casas, muralhas e Templo, mas as relações fraternas e justas que sempre foram a marca de sua identidade.


Apesar da divisão acima citada, o Livro de Isaías não se apresenta tão homogêneo. O livro que temos hoje foi composto por mãos diversas, além das mãos de três profetas citados acima. Acréscimos posteriores foram enxertados ao texto, como é o caso dos capítulos 24-27 e 34-35 no Primeiro Isaías. Observemos, por exemplo, os capítulos 13-14 que falam da queda da Babilônia, mas se encontram no Primeiro Livro, composto bem antes de tal evento. E não só no Primeiro Livro, mas, em todo o texto, acaba aparecendo aqui e ali um enxerto, uma perícope cuja datação não se equivale ao tempo do livro em geral.


Essa largueza de datas e autores faz do livro uma riqueza sem fim, com um sem-fim de temas que se misturam e se permeiam. Fica, porém, em todo o livro uma marca registrada: “Deus nunca abandonou seu povo. Nem antes do Exílio, nem durante, nem depois!”. Nesta certeza, os “Isaías” relataram sua experiência de fé, advertindo sua gente à fidelidade ao Senhor. A leitura da obra hoje produz em nós a mesma garantia: Deus está conosco, fiel e justo, nos amparando. Sua força nunca nos abandona.


Nos próximos números tomaremos cada um dos três livros de Isaías. Boa leitura a todos!





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