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159. E agora? O silêncio

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08.06.2020 | 1 minutos de leitura
Poesia
159. E agora? O silêncio

E agora, José?
E agora, Maria?
E agora, Brasil?
De novo,
como no poema de Drummond,
não existe cavalo preto
que fuja à galope,
Nem parede nua
onde se possa encostar.


Como José,
queremos fugir
Mas não existe porta...
Só nos restam angústias
e ainda alguma esperança.


E agora, Jair?
E daí?
Só lamento.


E agora, você?
Você que se cala
Você que emudece
Você que grita
Você que esperneia
E agora?


José! José! José!
Ai José!
Ei João!
Maria?
Marias
Joãos
Joãos e Marias
Povo
E agora gente?


O baile acabou.
A porta fechou.
O porão está cheio.
Cheio de sangue José!
Mas o que tens a ver com isso?
Não é mesmo?


A máscara caiu
O soldado aplaudiu
Riem os ratos
A tela em preto e branco ficou
E agora?


Um dia
Quando tudo passar
Perguntar-se-á
E agora?
O agora talvez nem exista
Porque o agora de amanhã
É a incerteza da vida
Diante do agora do hoje
E agora?!?!


A festa acabou
A esperança se foi
Roubaram seus sonhos
Furtaram-lhe as lágrimas
Anestesiaram seu pensar
O que farás José?


José! José! José!
Ai José!
Ei João!
Maria
Marias
Joãos
Joãos e Marias
Povo
E agora gente?


Grita no vácuo do silêncio o fim da festa
Já não existe música
Só marcha
Lúgubre
Cada vez mais quieta
E agora?


Você José
Jogado em si mesmo
Já não canta
Reclamar já não podes
Contempla, afinal
Seu próprio pesadelo


A luz apagou
O povo se foi
A TV desligou
E daí?
E daí que é com você, José
Sempre foi
Mas você não escutou...


O resto é silêncio







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