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145. Tomé

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19.04.2020 | 1 minutos de leitura
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Poesia
145. Tomé

Toma, Tomé!
Toma o leme,
Que a barca também é tua.
Precisamos de tua dúvida
E de tua tão mal afamada
Descrença.
Por não teres ouvido os
Irmãos,
Por tuas mãos e por teus olhos
Que quiseram tocar e ver.
Graças a ti somos todos
Bem-aventurados!
Desde ti, nossa fé
Compreende também
O ato de duvidar
E está mais longe
Das certezas.
Toma, Tomé,
Por ora, o leme.
Pois quanto pudermos
Ser a mãe com seus
Dilemas e perguntas,
Menos seremos a mestra
Indubitável.
Pois o desejo (e o não-saber)
Fazem singrar o mar.
Enquanto tudo saber
É mesmo lançar âncoras;
Outro jeito de ter medo.







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