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122. Viver com leveza

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24.01.2017 | 4 minutos de leitura
Crônicas
122. Viver com leveza

“Seca-se a erva e cai sua flor,
mas a Palavra do Senhor permanece para sempre” (Is 40,1)


“Passado não volta, futuro não temos e o hoje não acabou. Por isso ame mais, abrace mais. Pois não sabemos quanto tempo temos para respirar”
(Thiago Brado)


Quando criança acreditava que tudo era eterno e por mais que, vez ou outra, ouvisse a notícia que uma comadre ou outra tivesse morrido, eu acreditava que, aos meus, a irmã morte nunca iria visitar. Acreditava também que a infância era eterna, que tudo era belo, que a vida era doce e generosa com todos. Por mais que visse tantos adultos trabalhando e preocupados com as contas a pagar, com a chuva que estava custando a chegar e com tantas outras coisas que a mim pareciam muito estranhas, eu acreditava que a minha vida seria sempre maravilhosa. Todo meu esforço de menino consistia em construir frágeis fazendas com linhas e pequenos pedaços de pau, vigiando sempre para que meus primos não destruíssem minha criação.


Com o tempo fui crescendo e me dando conta de que as coisas não eram bem assim. A morte bateu em minha porta e levou minha mãe. As responsabilidades da vida de jovem começaram a aparecer e, com elas, as inquietações e necessidades: trabalhar, estudar, escolher uma profissão. Fui então notando que a vida passa e que todas aquelas coisas que pareciam eternas eram, na verdade, muito passageiras. Percebi a grande jogada da existência: a eternidade não está nas coisas, mas no modo como as vivemos.


É justamente pelo fato de a existência ser tão breve e os momentos tão efêmeros que a vida se torna tão preciosa. De um dia para o outro, a nossa vida pode ser levada como a flor do campo que, pela manhã, floresce e, ao final da tarde, perece. Acaso não foi isso que Jesus falou em sua parábola sobre o homem avarento que só pensava em guardar os lucros de sua colheita, acreditando que sua vida aqui na terra seria eterna? Não nos alertou ele sobre o modo como gastamos a nossa vida? É este um dos ensinamentos do Mestre: que vivamos a nossa vida com a reverência que ela exige, gastando cada minuto para fazer o bem, empenhando nossos esforços para promover um mundo melhor. Afinal, a vida é muito breve e, mal chegamos, já estamos partindo. Há pessoas que com sabedoria acolhem esse ensinamento e direcionam suas vidas no caminho do amor. São presença e cuidado na vida daqueles que os circundam. Como escreveu Cora Coralina: “Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove”.  É essa presença de amor que que dá sentido à vida, fazendo de sua brevidade um pedacinho da tão sonhada eternidade. Viver a vida de tal modo que as nossas ações toquem o coração daqueles que partilham conosco o nosso caminho: eis o desafio. Essa escolha é nada fácil! Mas, ao caminhar assim,transformamos em mais leves os fardos pesados do dia a dia: os nossos próprios fardos e os daqueles que passam por nós. Assim, ao final do dia de nossa existência, poderemos fechar os olhos num abraço fraterno à irmã morte, com o coração repleto da alegria do bem-viver e de gratidão ao Deus da vida. Parafraseando o profeta Isaías, podemos dizer: “Seca-se a vida e extingue o respiro, mas as relações de amor permanecem para sempre”. Ou, como disse padre Zezinho: “Ao chegar o fim do dia, eu sei que dormiria muito mais feliz”.







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