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10. Iniciar na fé

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13.02.2015 | 3 minutos de leitura
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10. Iniciar na fé

Dissemos que a fé está no campo da proposição e não da obrigação, está no campo do precioso e não do obrigatório. Ora, se Deus mesmo não se impõe a nós, mas simplesmente oferece, na mais plena gratuidade, o seu amor, por que com a fé cristã seria diferente? Exatamente porque estamos nesse âmbito da gratuidade é que a iniciação cristã se faz tão necessária. A iniciação cristã é o processo pelo qual o catequizando – seja ele criança, jovem ou adulto – entra em contato com o mistério de Deus, por meio de ritos, símbolos, celebrações, reflexões, estudos, meditações, orações, cânticos... O mistério de Deus, o que é isso? Bom, quando falamos de mistério de Deus, muitas vezes pensamos em uma incógnita de uma equação que deve ser encontrada ou um código a ser decifrado. Não é o caso do mistério de Deus. O mistério de Deus não tem nada a ver com aquilo que desconhecemos e precisamos decifrar. Deus não é decifrável; ele é muito maior do que nós, ele nos ultrapassa. E por isso é mistério. Por mais que o conheçamos, por mais que entremos em comunhão com ele, por mais que estreitemos laços com ele... ele nos escapa. Seu amor é tão grande, tão sublime, tão gratuito que não dá para entender. Não há explicação possível para sua bondade, para sua generosidade, que se concretiza na encarnação de seu Filho e ganha máxima potencialidade na cruz. No Calvário, Deus se entrega inteiro a nós por amor: isso é um mistério. Mas esse mistério não é uma coisa incompreensível; ao contrário, se ele nos ultrapassa, ao mesmo tempo, podemos experimentá-lo, podemos gozar da presença maravilhosa de Deus.
Pois bem, iniciar na fé é introduzir as pessoas nesse mistério de amor. Mas, se o mistério é inesgotável, contínua deve ser a iniciação. Ela não cessa jamais, pois a fé é eterna iniciante. Não somos nunca cristãos maduros, capazes de dar conta dos desafios da vida. Estamos sempre a caminho, à procura do Ressuscitado, como disse Paulo aos Filipenses: “Não penso que já alcancei o alvo, mas persigo-o insistentemente” (Fl 3,13-14). A catequese tem, pois, a tarefa maravilhosa de propor caminhos para esse encontro com o mistério insondável de Deus. Sua missão é comunicar o amor de Deus revelado em Jesus cristo pela força de seu Espírito. Não é primeiramente ensinar doutrinas, dogmas, verdades morais ou mandamentos e preceitos. Se ela também o faz, é exclusivamente porque a fé cristã não pode ser desvinculada da vida eclesial, muito menos de um estilo de viver (a vida ética). A fé cristã não é uma invenção, mas um patrimônio de uma comunidade eclesial (sobre isso já falamos em artigo anterior intitulado “O prazer da pertença”). A catequese, como ação evangelizadora da Igreja, transmite a fé da Igreja, cria condições para que ela seja experimentada. Ela testemunha a preciosidade da fé e convida os catequizandos a fazer sua experiência cristã de Deus. A essa experiência de encontro com Deus, damos o nome de iniciação. Sobre a pedagogia mais viável para proporcionar esse encontro, falaremos nos próximos artigos.







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