1º Encontro

ACEITAR O QUE SOMOS

 

 1. Acolhida e oração inicial

– Receber a turma com alegria e atenção, dando as boas-vindas.
– Cantar músicas animadas. No fim do livro, há diversas sugestões. Que tal começar dando o abraço da paz e motivando a amizade e a união do grupo?
–  Depois, sossegar a turma e fazer o Sinal da Cruz.
– Motivar a oração: “Esta etapa da catequese se dedica a nos ajudar a descobrir e a aceitar melhor quem somos. Neste processo, Jesus – nosso amigo – está conosco nos ajudando a fazer este trabalho interior, nada fácil. Fazer essa caminhada interior é coisa dolorosa. Muitas vezes, parece mais fácil não remexer nosso coração. Deixá-lo como água parada evita conflitos, mas não nos deixa crescer. Para crescer é preciso aceitar ser quebrado e refeito, como um barro nas mãos do oleiro. Jesus é o oleiro que amassa nossa vida antiga e nos ajuda a construir uma vida nova muito melhor, muito mais livre, mais plena, mais feliz”.
– Cantar a música “Enche nossa vida”, pedindo o Espírito Santo para encher nossa vida de fé, força e luz. Cantar várias vezes, repetindo como um mantra até acalmar a turma e colocá-la em meditação. O catequista poderá ir falando baixinho, conduzindo o grupo a rezar, enquanto os catequizandos cantam repetidamente a canção. O catequista poderá dizer, por exemplo: “Nossa vida é mais plena e mais livre quando estamos cheios do Espírito de Deus e vazios de nossos egoísmos. Você pode entregar a Jesus seu coração e pedir a ele que encha sua vida com o Espírito Santo. Deixe que ele plenifique você com sua luz, que esta luz interior ilumine toda sua vida, seu passado, seu presente, seu futuro. Deixe que a presença de Deus te liberte de suas angústias, de seus medos, de seus bloqueios. Você pode pedir a ele que tire toda treva de seu interior. Só assim você vai se sentir mais livre, mais forte e mais animado para enfrentar a vida com seus desafios”.
– Terminada a meditação, cantar novamente a música anterior.
–  Depois, dar as mãos e repetir com o catequista a prece seguinte: “Ó Deus de amor, nós agradecemos porque teu Espírito Santo nos guia, nos anima, nos ilumina. Nós te pedimos que não nos deixes jamais nos afastar de ti, que não nos deixes jamais fechar nosso coração para tua presença, para a força do teu Espírito que age em nós. Amém!”
– Cantar a música “Com Jesus sou mais feliz”.

2. O QUE A BÍBLIA DIZ

Motivação: Em nossos encontros, estamos fazendo experiências importantes. Hoje vamos falar sobre a alegria de viver em paz com a gente mesmo. Nós somos obra maravilhosa de Deus e seu amor nos capacita para bem viver. Deus está conosco, nos conhece e nos ama profundamente, mesmo com os defeitos e limites que temos. É o que ouviremos agora. Vamos antes cantar a música “Tua Palavra”.

Texto: Sl 139 (138),1-14

Ajudar a turma a localizar o texto na Bíblia.

Partilha

  • O que reza o salmista?
  • Qual sua maior certeza?
  • O que este conhecimento gera nele?

Aprofundamento:  O salmista começa dizendo de sua certeza de ser examinado e conhecido por Deus. Ser examinado por Deus não significa que, dia e noite, ele nos ponha à prova. Não é isso. Quer dizer que ele tem ciência de nossa vida toda, que nada do que somos ou vivemos é desconhecido a ele. Essa certeza de que Deus nos conhece por inteiro gera confiança e paz. Se ele é um Deus amoroso, um pai bondoso que zela por nossa vida, esse conhecimento só pode ser para o bem e só pode gerar bem-estar. Por isso, o salmista diz: “Tu sabes quando me sento ou quando me levanto”. Levantar e sentar são expressões opostas para significar o todo. O salmista está consciente que Deus sabe tudo de sua vida.

–  Deus penetra de longe nossos pensamentos: nós já vimos em encontros anteriores que há uma área da nossa vida que é totalmente desconhecida para nós mesmos e até para os outros, mas não para Deus que nos ama. Ele distingue nossos caminhos, todas as nossas trilhas, ou seja, em nenhum momento estamos sós. Deus está sempre conosco em qualquer jornada da nossa vida, seja de trabalho ou de descanso.

– Deus nos conhece tanto que o salmista afirma que ele sabe até aquilo que nem chegamos a falar ainda. A palavra é o veículo da comunicação. Ela é muito importante entre nós, ela revela quem somos, o que queremos, o que pensamos. Mas Deus, antes mesmo da palavra chegar à nossa boca, já nos conhece todo. Ora, a comunicação com Deus não se dá pelo que dizemos a ele; ele sonda nosso coração e nosso pensamento. As palavras são importantes para verbalizar o que sentimos, mas ainda que não falemos uma só palavra para Deus, ele sabe tudo de nós, nossas intenções mais íntimas.

– Não há como fugir de Deus; não há como ficar longe desse conhecimento. Se estamos nas alturas, no sucesso, nas vitórias, ele lá está. Se estamos nos abismos, nas derrotas, no fundo do poço existencial, ele lá está.

– Ainda que quiséssemos viver em trevas, com a escuridão nos cobrindo; as trevas ou noites são como dia para o Senhor. Deus é luz e ilumina nossa vida toda. É ele que nos ajuda a arrancar as trevas de nós mesmos.

– Foi ele quem nos criou, ou seja, viemos dele, somos sua imagem e semelhança e, desde o ventre materno, fomos amados e desejados por ele.

– E o salmista suspira louvando ao Senhor. Tendo tomado consciência do amor zeloso de Deus, tudo que tem a fazer é agradecer. Resistir pra que? Melhor se deixar amar e conhecer ainda mais por ele. Seu amor nos sustentará no processo de autoconhecimento e auto aceitação. Assim como Deus nos conhece, quer também que cada um de nós se conheça. Ele nos aceita como somos e nos ama e quer que cada um de nós se aceite e se ame. Isso pode ajudar muito na superação de nossas fraquezas e contribuir para uma vida mais plena e feliz.

–  Lembremo-nos do quadro abaixo, que já vimos em encontros anteriores.

– Nossa vida é como este quadro, com quatro áreas diferentes.

 

(Clique na imagem para ampliar)

– O importante é esforçar-se para aumentar a área do “Eu conheço” e diminuir a área do “Não conheço”. Deus conhece tudo e nos ajuda neste autoconhecimento. Quanto mais a gente se conhece, mais a gente tem controle da própria vida, das emoções, etc. E mais chances a gente tem de se aceitar e ser feliz.

– Quando a gente se revolta contra o que é, as chances de ser feliz são pequenas. Quanto mais a gente se aceita, aceita nossa história, nosso corpo, nossos dons, nossas fraquezas, mais podemos viver em paz com a gente mesma e mais feliz poderá ser a vida. É assim que se sente o salmista: feliz da vida porque Deus o conhece e o ajuda neste autoconhecimento.

3. ATIVIDADE

Sugestão:    O catequista deverá ter levado para o encontro uma porção de balões de soprar (ou bexigas).

– Cada catequizando ganha um balão, enche-o e escreve nele uma qualidade e um defeito que tem. Depois liberam os balões com tapas para o ar. Cada um pegue um balão aleatoriamente. Leia o que está escrito nele, identifique o dono do balão e a turma acolhe o dono do balão com suas qualidades e defeitos. Quem pegou o balão dá um abraço no dono do balão em nome da turma.

Conclusão:  O salmo 139 revela uma grande verdade: Deus nos conhece e nos ama. Saber-se conhecido por Deus até nas profundezas e acompanhado por ele em toda situação dá a nós uma sensação muito boa. Não precisamos mais fugir de nós; não precisamos nos esconder; não precisamos fingir ser quem não somos. Deus nos conhece e nos ama do jeitinho que somos. Certamente ele quer que melhoremos muita coisa, mas sua amizade e amor independem disso. Se eu posso mudar, devo me esforçar para fazê-lo, não para que Deus me ame mais, mas para que eu viva mais feliz e seja mais livre. O amor de Deus é incondicional, mas meu amor por mim mesmo nem sempre é tão grande assim. Tudo que a gente puder fazer para ficar em paz com a gente e de bem com a vida será ótima iniciativa.

4. Oração final e encerramento

– Convidar a turma para louvar a Deus, para agradecer a ele por tudo de bom que há em nossas vidas, por todas as conquistas alcançadas, por tudo que somos etc.

–  Pedir que cada pessoa lembre-se de algo bom para agradecer ao Senhor. Deixar que os catequizandos falem à vontade.

–  Encerrar o louvor, cantando a música “Louvado seja Deus“.

–  Para o próximo encontro, há duas sugestões de atividades. Uma delas é fazer uma atividade física, uma caminhada por exemplo ou um piquenique. Caso o catequista ache viável, deve avisar os pais e combinar bem com os catequizandos. Tudo dever ser preparado com antecedência para que não haja desencontros. Lembre-se: não se arrisque o catequista a levar a turma para locais com piscina, lagoas, cachoeiras etc., mas apenas para praças, parques, jardim botânico, área de lazer e ginástica. Caso a turma aceite fazer a caminhada deve ser orientada a ir com roupas e calçados apropriados para dar conta do trajeto. Além disso, deve levar água e lanche para partilhar no encerramento da atividade.

–  Motivar para o próximo encontro e despedir a turma.

Dicas para o catequista:

– Os versículos 15 e16 não foram lidos no encontro, mas mesmo assim vale a pena explicá-los. Pode ser que algum catequizando curioso continue a leitura e precise de ajuda para entender o texto. Estes versículos trazem a ideia de que nossa vida inteira estava escrita no livro de Deus. Muitos podem pensar que se trata de predestinação, como se – mesmo antes de saber – nossa vida já estivesse previamente determinada por Deus. Alguns chegam a interpretar o texto ao pé da letra entendendo que há um livro no céu onde nossa vida já está toda escrita, inclusive as dificuldades, as alegrias, o dia de nossa morte. Certamente não é este o caso. A fé cristã não admite a predestinação, pois esta é contrária à liberdade humana. Deus nos criou para a liberdade e é exatamente por isso que temos uma responsabilidade ética. Não estamos condenados a nada, a não ser às contingências da vida, ou seja, aos limites que a vida impõe. Na cultura bíblica, a predestinação não é o nosso futuro escrito nas estrelas e a gente como uma marionete nas mãos de Deus sem poder traçar nosso destino. Deus nos predestinou para o amor. Nosso futuro está condenado ao amor de Deus, de tal forma ele nos ama que não podemos escapar dele. Se há alguma predestinação é no amor; não nos fatos da vida.

– O salmo falou que antes de a palavra chegar à nossa boca, Deus já sabe o que vamos dizer. É claro que se trata de uma hipérbole para garantir a ciência de seu, seu conhecimento completo acerca de nossa vida. Isso não deve significar que não precisamos nem devemos mais rezar, pois Deus já sabe de tudo. Não é isso! Nós rezamos para informar a Deus acerca do que vivemos. Ele certamente sabe de tudo que se passa conosco. Rezamos para fazer comunhão com Deus. Rezar é uma necessidade antropológica do crente, ou seja, é inerente ao ser humano que admite que não está referido a si mesmo mas a alguém maior do que ele: Deus.


Encontro anterior:     Retiro de preparação para a Primeira Comunhão: Eucaristia (2)
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