Uma das maiores dificuldades levantadas na hora de implantar a Catequese Permanente, especialmente de convidar todo mundo para a catequese com visitas nas casas, é a suspeita – não infundada – de que a paróquia não vai ter catequistas em número suficiente para a demanda de catequizandos. Se a gente for muito criteriosa então, não vai aparecer ninguém. Quanto mais exigências, menos catequistas preenchem os pré-requisitos.

Aconteceu certa vez um episódio engraçado. Chegando em uma diocese nova, o bispo me pediu para organizar a catequese diocesana e também a paroquial, da sede da diocese. A paróquia era enorme. Hoje ela se encontra dividida em seis paróquias, mas na época, era uma paróquia só com 70 mil habitantes. Resolvemos depois de muito reunir com catequistas, pároco e coordenação, que arriscaríamos nas visitas domiciliares para fazer as inscrições e motivar o povo para o projeto da Catequese Permanente. Foi um trabalho hercúleo que envolveu toda a liderança paroquial e das comunidades, mas valeu a pena. Ao final dos mutirões de visitações, tínhamos passado de trezentas inscrições para sete mil. Ao saber do acontecido, o bispo apareceu na reunião de coordenadores e foi logo dizendo: “Filhinha, vocês estão doidos? Onde já se viu uma coisa dessas: sete mil inscrições para a catequese? Onde você acha que vai arranjar catequista para toda essa gente?”. Eu fui pega de surpresa e fiquei estática. Mas o padre que trabalhava comigo no projeto, muito espirituoso respondeu: “Com todo respeito senhor bispo, o Deus que chamou os catequizandos há de chamar os catequistas. O projeto do Reino é dele e não nosso!”. Eu adorei a resposta. De fato, deu trabalho, mas ninguém ficou sem catequese por falta de catequista. Só mesmo quem não quis participar. O Deus bom que nos acompanha nos ajudou no empreendimento de conseguir catequistas. Apareceu gente de boa vontade de todo lado, animada com o projeto.

Bom, o primeiro passo para conseguir catequistas, aprendi com meu amigo padre, é saber que o projeto não é nosso, mas de Deus. Ele vai mandar catequistas. Basta a gente saber acolher todo mundo, acompanhar, motivar, capacitar. É como conta a parábola dos operários da última hora. Se soubermos identificar operários parados na praça, não há de faltar gente. O que não podemos é querer que todos sejam “escribas formados”, diplomados na catequese, trabalhadores da primeira hora, prontos para servir.

A segunda coisa é saber ir atrás desses operários. Aconselho a coordenação e ao pároco que façam uma reunião, vejam o número de catequistas que vão precisar e façam uma lista de possíveis catequistas. Aí é correr atrás. De posse de uma carta-convite (modelo nos anexos), bem escrita e assinada pelo pároco, a coordenação visitará essas pessoas fazendo o convite. Pode ser que muitas recusem, como na parábola das bodas, mas depois vêm os coxos, os cegos, os aleijados… todo mundo é convidado para o banquete, como diz Lucas.

Os convidados costumam se esquivar por medo. Nunca foram catequistas; não sabem como fazê-lo. É preciso dar-lhes segurança: não vão trabalhar sozinhos, mas dois a dois; vão ter um livro com todo o conteúdo da catequese; vão ter reuniões e cursos de formação esporadicamente; vão ter o apoio da coordenação paroquial e da comunidade; vão aprender fazendo, pois é assim a fé: quanto mais a gente difunde, mais a gente mesmo cresce.

Seria muito bom que a paróquia tivesse abertura para acolher todas as pessoas, sem moralismos ou impor regras absurdas. Uma mulher divorciada pode muito bem ser catequista, assim como uma mãe solteira, um casal de segunda união etc. Quem tem a vida perfeita pra ensinar o caminho da fé? Ninguém! Por acaso um padre para de celebrar a eucaristia porque cometeu algum deslize? Não! O sacramento independe dele; é Deus quem age. O mesmo na catequese. Deus age para além de nossos limites e nossas misérias.

Outra coisa importante é motivar os pais a serem catequistas. Quando eles aparecerem questionando alguma mudança ou reclamando qualquer coisa, diga a eles que a catequese está mudando e ele deve acompanhar o processo. O melhor modo é sendo catequista. Ele mesmo pode ser catequista de seu filho ou de outra turma se preferir. Não é hora de reclamar. É hora de somar esforços.

Tendo conseguido os catequistas, pelo menos um por turma, mas bom se fossem dois, é hora de visitar os catequizandos e convidá-los para o primeiro encontro. Eis o tema de nosso próximo artigo nessa coluna.


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