Senhor,

Sou um ser estranho, que estranha todas as coisas.

 Estranho a vida, mas também a morte pois parece finalizar o que me parece infinito.

Estranho o amor, mas também a indiferença que sufoca o amor e o negligencia.

Estranho o dar-se sem medida, mas ainda mais o reter-se sem ao outro se entregar.

Estranho ser assim como sou, mas ainda mais me estranho quanto me faço outro alguém que não eu, exatamente como assim sou!

 Estranho, Senhor, até seu amor.

Parece demais, parece abusivo, parece desmedido, desmesurado…

Mas mais estranho seria se tu não fosses assim: demasiado, abusado, desmedido, desmesurado no amor!

 Estranho, Senhor, o outro que se aproxima afável, carinhoso, querendo aconchego.

E estranho demasiado que ele me venha que não assim: cheio de afabilidade, de carinho e desejoso de ser acolhido.

 E porque sou um ser estranho, perpassado por estranhezas múltiplas, suplico-te:

“Não me estranhes; não me rejeites; não me abandones!

Faz-me familiar ao teu coração, capaz de achegar-me a ti sem reservas, mesmo com minhas estranhezas todas.

Faz-me estranhar unicamente o não-amar, a ti e aos meus irmãos.

Tudo mais seja estranho!

E, em ti, amor-infinito, toda minha estranheza seja ressignificada, tornando-me doce, afável ao que antes eu rejeitava indolente”.

Amém!


Para rezar anterior:    89. Os cegos
Próximo para rezar:     91. Suplicante coração
Print Friendly, PDF & Email